O prazer de trair

Ainda está por vir à cena a mulher que, na defesa pela igualdade dos sexos, lute pelos prostíbulos masculinos e pelo direito de trair, isto é, o de deitar-se com um homem sem ser obrigada a dizer “eu te amo”.

A repetição é o veneno do amor. As mulheres decerto não conhecerão a libertação das longas noites solitárias enquanto não confessarem a si mesmas a verdade que se esconde na tola mentira do amor a um só homem.

Arranjar um amante é, de fato, um risco. Às vezes, se escolherá quem não está disponível ou, estando disponível, terá desempenho ainda pior do que o marido. E pode se transformar numa chateação: a do amante espaçoso que se dá o direito de pedir dinheiro emprestado, telefonar a qualquer hora ou tirar meleca na cama. Amor bandido nem sempre significa amar o bandido, como às vezes acontece.

A coisa piora se o “affair” é tornado público. Por isso, até as viúvas, coitadas, às vezes são obrigadas a se enterrar com os maridos para sobreviver numa sociedade que, do quarto para dentro, é bastante hipócrita a ponto de até a ela impedir o gozo do prazer sem paixão. Se agem de modo diferente, são chamadas “viúvas alegres”.

Com os prostíbulos instalados, até recolhendo impostos e empregando jovens asseados e atléticos, que nada lembram as pesadas barrigas dos maridos, as mulheres poderão desfrutar, afinal, o prazer que lhes falta sem perder a vergonha que porventura ainda possam ter.

Seria a libertação final. Um passo além dos acessórios dos sex-shops. Afinal, em nenhum outro lugar que o leito nupcial, é a mulher tão subjugada sem defesa ao machismo, sendo dolorosamente estuprada para o sexo forçado nas horas mais indesejadas.

Bem diferente será o sexo bem satisfeito num ambiente conveniente com companheiros atraentes e atenciosos, com foco, voltados para o resultado da empreitada e dispostos a tudo por uma boa compensação.

Os maridos, esses, se acostumarão à nova postura libertadora. Uma reforma modernizadora, aprovada pelo Congresso, assegurará que continuarão únicos na função de provedores do lar, exclusivos como financiadores das famílias e terão ainda garantido novo cuidado, além de aparar os cabelos e os bigodes: o de lustrar os chifres agora tornados públicos.

Só não gostarão os amigos, que perderão a piada que faziam às escondidas, e os comediantes.

Afinal, as piadas de cornos cairão em desuso.

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