O escorpião e os sapos

Muito além do Jardim, no caso o Lauro, nós já vimos esse filme, ambientado no pântano. Trata-se de um escorpião que, na ausência de ponte, em decorrência das obras do PAC paralisadas por seguidas denúncias de superfaturamento, pede socorro a um sapo mesoclítico para atravessar um longo trecho alagado.

- Levá-lo-ia, caso o seu ferrão fosse guardado até chegarmos à outra margem, em 2018.

- Não há o que temer. Se eu utilizar o meu ferrão, ambos morreremos prematuramente. Você envenenado pelo meu conteúdo, e eu afogado neste putrefato mar de lama, sem ter a quem vender o meu peixe. Ou embrulhar o próximo.

Muito bem escanhoado, sem traços de ser o batráquio barbudo, ou similar fantasiado, o invertebrado embarcou na aventura heterodoxa, mas não golpista, pois atendia à constituição de ambos.

Comportado no início da difícil travessia, apesar de acusado de ser venenoso por boa parte da fauna reinante, decerto coisa do interesse dos insetos que sempre temeram, por ouvir falar, a extensa língua do camaleão, o artrópode escondeu o ferrão o quanto pôde do sapo jaburu.

Entretanto, ao notar que seu condutor passaria onde a onça bebia água à espera do boi, ficou indócil com a sua natureza, a que cultuava o dever de ferrar mesmo os aliados de ocasião.

Esta fábula é manjada, mas o diabo vive nos detalhes, escondido no capim. A novidade é que o boi não sucumbiu à onça. Se dizem que do boi só não se aproveita o mugido, desta vez o berro assustado foi mais saboreado que a picanha, talvez o filé mignon mais suculento a ser negociado no açougue Três Poderes.

E sobrou pro mineirinho que, agachado em local privilegiado, mascava um capinzinho. Ei, lasqueira!

O boi está free, nos States, Friboi como se diz no pântano. Até a onça teve que cortar na própria carne. Acharam parte do nariz do felino que farejava e vazava o pântano pelas beiradas, onde pastava e bostejava o gordo Friboi, em vez de drenar a lama por gravidade.

Agora a grande família do sapo barbudo de língua presa vibra com o escorpião. Mas não se iludam. Se o barbudo escapar das garras da onça, só haverá insetos sem ferrão. Pernilongos e aedes, de preferência.

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