Palhaços

19/05/2017

Esse texto é direcionado a você, que leu os clássicos, os modernos, os periódicos e até os quadrinhos, com uma fome alucinada por toda e qualquer narrativa.

E que não se contentava só com as músicas dos rádios e as trilhas dos filmes, mas que se deleitava com todos os gêneros, frequentava concertos, óperas, acompanhava as bandas, parava para ouvir um violão e sabia a diferença entre um cravo e um piano.

Você certamente sabe um pouquinho sobre cada uma das manifestações artísticas. Vai ao cinema, ao teatro, se diverte com a história, visita museus e sabe como o pensamento evoluiu desde o aparecimento da escrita.

Parabéns!

Com essa bagagem você poderia se tornar um Produtor Cultural. Ou ser um Professor, quem sabe?

Pena que no Brasil de hoje, essas profissões são a quintessência do nada.

Enquanto um Procurador recebe um Jabá de 50 mil reais por mês para repassar informações processuais, o criminalista leva 2 milhões para defender um indefensável, e um Deputado recebe 20 milhões para dar um empurrão num Projeto de Lei, os professores precisam de uma Lei para garantir que recebam um piso mínimo. E os profissionais da Cultura tem o valor máximo de seus serviços tabelados pelo Ministério da Cultura.

Reparem: pelo teto, não pelo mínimo.

Um Artista Circense, no Rio de Janeiro, está tabelado em 1.452,00 por semana. Um Pianista pode receber, com todos os encargos incluídos, 134,00 por hora. Imagine quantas horas seguidas esse profissional precisa martelar o teclado para viver nesta cidade?

Vou encerrar com os Operadores de VT: 199,00 por semana se trabalharem em algum projeto incentivado. Reparem que nem falei de meus amigos pintores…

Isso não é remuneração; é, como dizem os franceses, um “pourboire”, ou “um qualquer pra bebida”. Em outras palavras, um cala-a-boca.

Não dá para viver de arte e de educação com dignidade nesse país.

A menos que você esteja no “negócio” da educação (obviamente pendurado numa das tetas do governo, como esses que emprestam jatinhos por aí), ou seja um Palhaço com P maiúsculo, como esses que vão para a televisão completamente afundados na merda, para dizer que são inocentes.

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