Free Boys - a operação carne podre

Se Hamlet achava que havia algo de podre no Reino da Dinamarca, só com aquelas doses de veneno mortal correndo na família, imagino o que contaria pra caveira de estimação sobre Brasília. Tragédia é pouco o que fizeram e o que seguem fazendo com o dinheiro público. E a negociação com a carne podre que empesteia a Praça dos Três Poderes parece coisa pra inglês ver.

Até um bobo da corte descarnado, como é Yorick, o amigo do príncipe indeciso entre ser ou não ser conivente com a carne fraca, com evidentes problemas de olfato, sentiria algo de podre no ar.

Por que deixaram os sertanejos universitários saírem do Brasil livres, leves e soltos? Sim, depois de uma mega confissão, de deixar ruborizado Marcelo Odebrecht, de causar vergonha alheia na dona Xepa, com toda sua desenvoltura e desfaçatez, os neocaipiras foram pros States com tudo: família, papagaio, cachorro, empresas no exterior adquiridas com dinheiro do BNDES e uma montanha de dólares comprados um dia antes do estouro da boiada.

Assistimos, no momento, a uma aberração encenada dentro do maior escândalo da história da humanidade. Agora, sim, o chefe da porra toda pode bater no peito e aumentar a escala da velha bravata: nunca antes na história universal, incluída a ficção shakespeariana, um cheiro de podre foi tão ignorado por tantos cães farejadores.

Sim, e o enredo trata de toda sorte de barbaridades. Imagino o “amigo oculto” de natal da família dos Neves, depois que o primo Fred foi revelado descartável, como um barbeador da Gillette de dois milhões: a primeira lâmina faz tchan, a segunda faz tchun. Isso antes de eventual delação contendo barba, cabelo e bigode. Não houve tchan, tchan, tchan, tchan graças ao spoiler da Globo.

A compra de deputados no atacado e no varejo, especialidade da casa; compra de parlamentares no mercado spot pra Dilma escapar do matadouro; compra de partidos para integrarem a coligação do coração valente. Compra, compra, compra, tudo com dinheiro nosso, pros campeões nacionais de falcatruas incentivadas. Embarque de embutidos nas medidas provisórias; frangos desossados por desonerações fiscais e muito mais. E, estrelando o show do bilhão, a abertura de contas no exterior para o Amigo e para a Tia, honesta por natureza. Inquestionável para os fiéis.

Estremecidos Criador e Criatura, Luz e Poste, não podiam ser contas conjuntas, embora administradas pelo mesmo Laticínio pós-Itália, não por acaso da mesma praia agropecuária. Curiosamente, o ex do BNDES, já na Fazenda ocupada pela JBS, era sustentado por Sem Terras e similares bovinos da Academia e da MPB. Procure saber.  

Na Promoção Geral da República, iniciativa camarada do Ministério Público, saiu tudo por pouco mais 250 milhões de reais, mais ou menos 5 fianças do Eike, este um pobre enclausurado na mansão. A pechincha do MP, que chegou a cortar na própria carne fraca, era boa demais pros Fribois, tanto que se tornaram os atuais Free Boys.

Quanto à repercussão do caso, parece que a credibilidade dos delatores hiperpremiados tinha prazo de validade de dois dias entre os consumidores de Lula. Coisa de produto perecível. Mesmo sem a tortura psicológica da prisão preventiva nos cárceres de Moro, os porta-vozes do Globo caluniaram o mártir, mais uma prova de que a direita golpista necessita de uma condenação injusta para ver o mestre fora da disputa.

Até o bobos da corte daqui já estão sentindo o cheiro de carne podre, razão pela qual eles cobrem os seus rostos nas ruas. Estão perdidos, vítimas de gases venenosos, mas não lacrimogêneos. Ser ou não ser massa de manobra, eis a questão.

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