Namorados do Cinema

Não existe nada mais explorado pelo cinema e pela literatura que o amor. Mesmo que o objeto principal de um filme tenha um contexto politico, social ou filosófico, há sempre ou quase sempre um pano de fundo amoroso. O amor molda a relação das pessoas, dá sentido à vida e, nas suas diferentes formas, provoca emoções e, nos filmes, rende boas bilheterias. Clark Gable amava Vivien Leigh que, por sua vez, amava Leslie Howard que amava Olivia de Havilland em “E o vento levou”. Amores trocados ou amores perdidos como acontece com Jennifer Jones quando o seu querido William Holden morre em “Suplício de uma saudade”. E assim terminava o filme acentuando a tristeza do desfecho com a famosa e açucarada melodia de Alfred Newman, “Love is a many splendored thing”.
O amor serve de combustível para os dramas, faz verterem lágrimas, risos e palpitações. Inesquecível a seqüência de cenas de beijos em “Cinema Paradiso” montada pelo projecionista da pequena cidadezinha para que o menino, agora crescido, que lhe fez tanta companhia tivesse como herança. São centenas de beijos de namorados que encantaram as plateias de todo o planeta por décadas. E continuam encantando. Com o tempo o amor no cinema foi deixando de ser somente romântico e sugerido para se tornar mais atrevido e sensual, pois nos longínquos e ingênuos anos 50 o sexo era apenas sugerido, nunca mostrado. Não havia ainda a revolução dos costumes, mas mesmo assim os filmes transbordavam paixões viscerais. Há muitas Bovarys de Flaubert nos filmes, assim como muitas Medéias, muitas Lolitas e dezenas de  Kareninas.
Mas, voltando aos grandes amantes, em “Casablanca” vemos um amor intenso entre uma mulher casada e um aventureiro, vividos na tela pela dupla Ingrid Bergman & Humphrey Bogart. Esse amor teve de ser interrompido circunstancialmente por questões políticas. Da mesma forma, Romeu e Julieta não puderam completar seu ciclo amoroso na tragédia de Shakespeare. O doutor Jivago não conseguiu se doar por inteiro à sua Lara no clássico que David Lean imortalizou nas telas .
Entretanto, apesar das referências acima, como inspiração para o dia dos namorados pode-se recomendar também comédias românticas com finais felizes. Afinal, nenhum casal que arranje um tempinho para ver um filme na data de celebração do amor, quer ver um desfecho triste. Há milhares de filmes assim que apostam no happy end. Em grande parte, um monte de bobagens.  Mas há também muita coisa com graça, charme, senso de humor e criatividade. Quem quiser algo mais antigo, mas delicioso, vai adorar ver ou rever “A princesa e o plebeu” (The Roman Holiday) dirigido pelo mestre William Wyler e vivido por Audrey Hepburn (a princesa) e Gregory Peck (o plebeu). Quem não abre mão do technicolor vale correr atrás do impagável “Harry e Sally”, com a namoradinha da America Meg Ryan flertando com Billy Cristal.  Harmonizem com um bom vinho e enjoy!

 

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