Os brutos também amam

Artigo do jornal Scientific Reports sugere que o Tyrannosaurus Rex era, no fundo, um amante sensível: por trás da feroz aparência de carnívoro assustador, escondia uma quedinha pela corte pré-nupcial e gostava de um cheiro antes do pescoção primal.

A imensa capacidade de amar não se mede pelo tamanho dos amantes; já vimos grandalhões de quatro por donzelas mignons. No tempo romântico dos brotinhos, se dizia que nos pequenos frascos se escondiam grandes perfumes. E, vá lá, também são conhecidas as mulheres frágeis que preferem os brutos. Atraídas pela doce crueldade do amor que excita, manipula e subjuga, acabam presas na armadilha dos maus.

O poder é afrodisíaco. Stalin costumava beijar na boca os camaradas de farra antes de ter-se com suas inúmeras amantes, Fidel tinha fama de priápico, mas escondia uma paixão. Hitler seria coprófilo. Lênin apreciava o ménage a trois. O ditador Francisco Franco, baixinho e de voz fina, bulinado no colégio como “la señorita”, era amante à antiga: amava escrever cartas sedutoras, como revela “A Vida Sexual dos Ditadores”, do inglês Nigel Cawthorne. Já Idi Amin Dada, o carniceiro da África, alimentava crocodilos com cabeças de amantes, à moda de goleiros.

É sabido que até os amantes de segunda – não apenas os grandes ditadores – adoram se travestir de pequenos tiranos, sádicos e manipuladores, confirmando o axioma de Nietzsche de que a crueldade é um dos prazeres mais antigos da humanidade. A crueldade nasce quase sempre com o amor próprio; Narciso, o amante de si mesmo, teria sido o tirano maior.

Mas o que a pesquisa sobre os ferozes dinossauros traz à luz agora é a incrível capacidade de amar dos tiranos. Desconfia-se que foi por amor – a morte de uma de suas sete esposas – que Ivan IV da Rússia desequilibrou-se ao ponto de vir a ser apelidado o Terrível. Átila, rei dos Hunos, que deixava o rastro de destruição por onde passasse, foi morrer, não no sangrento campo de batalha, mas montado no leito da mulher amada na celebração do seu casamento.

A pesquisa sobre o carinhoso terópoda coelurossauro, que botou terror ao final do cretáceo, vem apenas confirmar, milhões de anos depois, o que Shane quis insinuar na ingênua Hollywood dos anos 50: os brutos também amam.

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