Jabuticabas

Há males que vêm para bem, mesmo aqueles cometidos pelo presidente da facção do TSE – Truculência Sem Escrúpulos - que mandou a modéstia às favas. Na verdade, eram favas contadas, desde que, com o único intuito de fazer o tempo passar, o tribunal aprovou a tomada de depoimento dos marqueteiros da chapa quente, aparentemente um Troço Sem Explicação.

Pra que gastar uma fortuna com deslocamentos, diárias, sessões, audiências, para que os frutos dessas oitivas fossem proibidos no julgamento? Pra que a incorporação das delações da Odebrecht ao processo se, no frigir dos ovos, ovos alheios, as provas oceânicas foram jogadas no lixo comum do Planalto Central?

Ao contrário das 82 perguntas formuladas ao ocupante do Planalto, ainda sem respostas, essa é fácil, está na ponta da língua de muitos desde ontem, mas nos ouvidos de poucos há dois meses: pra ganhar tempo.

Sim, absolutamente certo, como diria J Silvestre. Aos mais jovens, destaco que JS era o apresentador de um popular programa de perguntas e respostas, O Céu é o Limite, mais tarde A Estrela é o Limite, belo merchandising dos brinquedos Estrela. Esta era a marca líder do ramo, em uma época em que os chineses mantinham-se dentro da muralha lembrada pelo ministro relator para exemplificar outras construções.

Curiosamente, aos ainda mais jovens, talvez ao meu aguerrido time sub 30, Silvestre era também a empresa que, sempre ao terceiro sinal sonoro, dava a hora certa na rádio relógio. Não confundam com os jurássicos aparelhos de rádio pré-celulares e seus iluminados mostradores. “Depois do sol, quem ilumina seu lar é a galeria Silvestre, a galeria da luz.” – dizia a única propaganda da rádio relógio.

Portanto, depois do sol, quando o vampiro entra em cena, tudo foi feito para dar corda ao relógio, para levar o julgamento para quando Temer pudesse indicar dois dos novos julgadores no TSE. Temer Soube Escolher, Temer Soube Esperar, Temer Soube Escapar.  

Cavalheiro que é, a criatura das trevas ainda salvou o pescoço da companheira de chapa, ao preservar os direitos políticos do coração valente, casuísmo proveniente da manobra de Renan e Lewandowsky ao final do processo de impeachment.

Mas, com os diabos, onde estaria o bem anunciado no primeiro parágrafo deste artigo?

Modéstia às favas, vislumbrei na singela citação de Américo Pisca-Pisca, personagem de Monteiro Lobato que desejava implantar reformas na natureza, o destino do Tribunal Sem Explicação.

Ao ser acordado por uma jabuticaba caída em seu nariz, o pirilampo em forma de gente desistiu de tentar contrariar o criador. Isso porque, a seu ver reformador, a jabuticabeira poderia suportar abóboras em seu robusto caule, monstro criado para abrigar um peso ridículo. Sem querer, o ser supremo da justiça brasileira Traiu Suas Excelências, sobretudo as suas Togas Sem Espírito.

Como se sabe que a jabuticaba é a única coisa boa que só existe no Brasil, e tribunal eleitoral é coisa quase que exclusivamente nossa, proponho que o Tribunal Seja Extinto.

Para um final feliz dessa história, o ministro Herman Benjamim iria para o lugar daquele que, ao ligar o pisca-pisca, alertou para a jabuticaba que está bem no nosso nariz.

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