Sonhei com você, Sally

12/06/2017

Sally, há tanto não nos falamos…

Mas hoje, dia dos namorados, não resisti a te enviar, a todo preço - e onde quer que você esteja - como fizemos durante tantos anos, esse grito rouco de saudade.

Não sei o que sonhava, mas acordei com o pensamento em você.

Me vinham palavras, como num poema.

Me lembravam de como seus olhos me tocavam, quando, tímidos – ou levados por pensamentos de que nem desconfiava – se retraíam, baixando pálidas pálpebras, escondendo a menina e revelando a mulher.

Pensei em escrever sobre meu fascínio pelo seu olhar, seus cabelos e vestido negros, sempre jogados com displicência sobre sua pele clara.

Tomei um desvio em sua pele, Sally.

Na madrugada fria, no meu quarto há tanto tempo despido de afeto, busquei a memória do toque de seus lábios, de suas mãos entre as minhas, de seu perfume...

Me perguntei como pudemos ter nos afastado durante esses anos.

Afastei o pensamento, Sally.

Não precisava dessa e de outras angústias que me afastassem de minha vontade de te escrever no dia de hoje.

Ah, então era isso?

Soltei as amarras de minha cama, deixei que as lembranças flutuassem através da fraca luz do sol, e logo tive a certeza de que o dia me falava seu nome.

Não sei se tomado pelo mesmo feitiço, ainda sem escrever nenhuma das palavras que me diziam dessa deliciosa emoção que foi nosso amor, voltei a dormir.

Não sei com o que sonhei.

Sonhei?

Pelo sim, pelo não, escrevi pra você.

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