Não entre pela porta errada

17/06/2017

Se eu fosse você, sairia pela porta da frente. Não como Getúlio, mas andando, e de cabeça erguida, enquanto ainda dá tempo.

Usaria os meios de comunicação para ler minha última mensagem ao Congresso, antes de pegar nas mãos de Marcela e Michelzinho e descer a Rampa. Nem precisaria sair pelos fundos, como fizeram já fizeram alguns antes de você.

Começaria com sua Renúncia.

Não porque você tenha cometido algum ilícito, mas porque você sabe que Presidência da República precisa ser ocupada por alguém sobre quem não paire dúvidas, ou suspeitas. E, no seu íntimo, você sabe que pisou na bola com essa história da JBS.

Mas não deixaria barato: proporia uma reforma política, começando com o voto distrital misto, que você sempre defendeu. Nada de voto em lista, nada de dinheiro público e muito menos de contribuições empresariais. Imporia, ainda, um teto simbólico de 100 reais para as doações de pessoas físicas. Quem doasse pra A, não poderia doar pra B.

Redesenharia o Sistema de Governo: deixaria um semi parlamentarismo, com o fortalecimento do Estado e um brutal enxugamento da máquina governamental nos três níveis.

A cereja do bolo (máxima vingança), seria a convocação de eleições gerais em 120 dias. Para os legislativos e os governos estaduais, para o Congresso Nacional e para a Presidência da República. De cara, cariocas, mineiros e gaúchos te amariam.

Convocaria, também, uma Assembléia Constituinte, à margem das funções legislativas. Comprometida exclusivamente com a elaboração de uma nova Carta, pautada pela ética, e sem os ranços do passado. 

Faria uma lista de dez ou vinte sugestões a esses novos Constituintes, com base nos seus conhecimentos de Direito, e na sua rica vida pública (sem trocadilhos).

A primeira delas seria extinguir a obsoleta figura dos Vices do cenário nacional.

Vice, só no esporte. Na vida pública, não mais. Afinal, não está funcionando bem hoje?

Poderia sugerir algumas mudanças no Judiciário: Juízes das Altas Cortes não seriam mais indicados pelo governante de plantão, mas eleitos pelo povo, em campanha diretas, e por prazos definidos de dez anos. Aplicaria essa regra ao PGR, talvez com mandato menor.

Sugeriria acabar com as Câmaras de Vereadores em cidades com menos de 100 mil habitantes. E, também, com os Tribunais de Contas, que nada mais são do que simulacros de legalidade. Dinheiro público tem que ser fiscalizado pelo povo, e tratado na Justiça comum. Não por apadrinhados e familiares de governantes.

Resolveria de vez essa questão do Foro Privilegiado. E o Congresso só poderia se pronunciar quanto aos crimes de seus membros nos casos de Crime de Opinião. Nos demais casos, cumpra-se a Lei, pelas mãos de quem de direito.

Enterraria a possibilidade de governantes editarem as tais DRUs, as Desvinculações das Receitas da União. Afinal, se o Constituinte quis vincular a receita, por que o Congresso sempre dá uma meia boca e libera um jeitinho? Acho que isso resolveria problemas na Saúde e na Educação.

Colocaria, ainda, as reformas do Trabalho e da Previdência no pacotão. Do jeito que são necessárias, e não como esse Congresso deslegitimado acha que quer.

Proporia, ainda, uma auto-anistia e o exílio. Embora o povo ande com gosto de sangue na boca, seu gesto o transformaria num Estadista, como o foi Pedro II, por exemplo. Você poderia  dar aulas em Portugal, o que acha?

Você entraria para a História, Presidente. Não como está prometendo, como mais um derrubado pela Lava Jato, ou como Temer, O Breve. Desceria a Rampa nos ombros do povo.

Protegeria, sua Biografia, evitando que ela venha a ser estudada como um Prontuário.

Mas é claro que se você fosse eu, você não estaria passando por esses momentos difíceis. Nossos valores são muito diferentes, Sr. Presidente. Por isso eu jamais votaria em você, nem para síndico.

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