Pezão na jaca


Há sempre um chinelo velho para um pé cansado, diz o ditado português, embora nossos irmãos lusos fossem mais habituados aos tamancos. Isso quando do surgimento do adágio, bem antes de se renderem às Havaianas, que hoje se soltam dos tiras pelas mãos leves dos Free Boys. Pois não é que Picciani subiu nas tamancas para desancar Pezão, hoje preso em nossa jaca movediça?

“Só resta a intervenção federal ou o impeachment de Pezão”, declarou o presidente da assembleia legislativa fluminense em entrevista à CBN. Com os termos aqui encaixados entre aspas, foi para o ar uma atmosfera que cheirava ao mais azedo chulé. Assim, ao definir o ambiente empestado em que vivemos, o roto desancou publicamente o esfarrapado pé de chinelo da quadrilha de Cabral.

Sem papas na língua, todas concentradas no flácido pescoço, o papudo que pode optar pela Papuda em eventual briga de facções, enfim resolveu se coçar, tendo escolhido como vítima natural o seu monstruoso bicho-de-pé.

Talvez pensando na morte da bezerra ou na nova vida do Bezerra, operador do bando que resolveu mugir, o criador de gado que lava tudo com sêmen bovino, entendeu que era hora de tirar o corpo fora.

Picciani sabe que, sem a meia-sola do governo federal, o estado parará de vez, pois só sobrará dinheiro para aquela que parece ser a prioridade número 1 do governo estadual: o financiamento das vistorias anuais do DETRAN, sem as quais os nossos assaltantes sem carteira assinada ou mordomias não poderiam roubar automóveis, caminhões e motocicletas com pneus novos, com a tranquilidade mínima de que necessitam para trabalhar.

O fato é que Pezão já admite que é hora de dar no pé.

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