Você sempre será meu Harry


Harry,

Essa noite você me visitou. Ao me deparar com sua imagem escondida pelos meus olhos saudosos, suei frio. Sonho ou realidade? Dormindo te abracei e senti como se ainda fosse nosso costume.

Também sempre adorei comédias românticas, o misto do amor com a alegria solta, a gaiatice dos sentimentos verdadeiros sem amarras, livres... pena que o riso às vezes resvale pro vazio. O amor não. O danado do amor sempre arruma um jeito de estar presente, aonde quer que seja. Um dia, para não mais falar de amor, e para tentar não senti-lo, resolvi não amar... não deu certo.

Amor. Essa luta sem vencedor que nos arrebata, mas não desata. O nó que se faz do amor. Anos depois ainda aperta... o peito. No vai e vem inacabável da procura pelo abraço maior, encontramos vez ou outra bons companheiros de corpos, sem perceber que, na verdade, quem procura companheirismo é a alma... a gente demora a aprender isto, não é mesmo, Harry?

Sempre que você dizia Adeus eu sabia que voltaria cinco minutos depois, com sorrisos de perdão e beijos loucos de paixão. Até que um dia a porta bateu e não se abriu mais. Hoje, tantos anos depois, ainda vejo nós dois de mãos dadas passeando pela cidade a qualquer hora. E sim, sempre gostei do cheiro e dos barulhos cativos da madrugada. Até hoje me pego às gargalhadas, sozinha, e olho pro lado instintivamente, como se você estivesse ali, rindo comigo! Apesar das dores, dos amores e da vida inteira que nos engoliu, continuei compartilhando com você cada momento da minha vida. “Harry ia gostar tanto de ver esta luzinha da lua entrando sorrateiramente entre as cortinas do quarto...” ou “Tomara que meu Harry esteja ouvindo esta música agora e lembrando de mim, sua companheira desde os bancos da faculdade, leal escudeira de sua ideias humanitárias e revolucionárias”. Sim, por que você sempre foi e sempre será meu Harry. Não fomos feitos um para o outro?

Eu sentaria em um banco de praça com você, bem como naqueles filmes de fim de Outono, Paris ou Nova Iorque, para juntos falarmos de tudo que ainda paira na brisa do mar, ou de um Rio na cidade. Distraídos, esqueceríamos os casacos no velho banco, e a câmera em zoom out nos deixaria livres para fugir da rotina. E Harry: só você pode me salvar de mim mesma.

Sua Sally

#amor