Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três!

Vendido para a senhora apertada de costura; para o cidadão preso nas contas; para o inativo que voltou ao subemprego; para o pobre servidor pendurado; para a aposentada que faz biscate na cozinha; para o ambulante que não vê o ambulatório; para o faz-tudo que não consegue fazer nada. E - quem sabe? – pra mim mesmo.

Calma, também não é assim, pois há legítimos recursos a outras instâncias. A mansão de Mangaratiba está em leilão, mas o dinheiro arrecadado ainda não será revertido para a população mais prejudicada. A grana permanecerá bloqueada, depois de depositada em uma conta judicial para que o bem não se deteriore, não perca valor com cupins honestos e maresias lícitas.

A lancha, sem serventia em Benfica ou no Leblon de Adriana, sem cais de atracação, bem ficará nas mãos de algum marinheiro de primeira viagem. Sim, pois creio que o magnata que vier a arrematar a embarcação há de ser investigado informalmente pela imprensa. Portanto, a possante será coisa para laranjas salva-vidas ou off-shores, verdadeira vocação da bichinha.  

Se as joias exclusivas do casal perderão a exclusividade, poderão ganhar valor entre as madames que adoram uma promoção, contanto que pessoal, quer nas colunas, no Instagram ou no Facebook.

As coleções Adriana Ancelmo, tanto da H.Stern quanto da Antonio Bernardo, hão de superar os valores pretendidos pela governanta, que mostrou ter aprendido muito bem as regras do governador e sua dona de casa, que compreendia a civil. Já quem se assanhou pelo apartamento, pode tirar o cavalinho da Hípica ou do Jockey da chuva, pois o cinematográfico apê encontra-se fora do leilão judicial, por ser, oficialmente, uma domiciliar Bangu sur mer.

Os automóveis do casal terão o mesmo destino da lancha, pois os deslocamentos motorizados nas ruas e avenidas só são atualmente permitidos aos seus adolescentes e respectivas babás. Os rapazes ainda não possuem idades suficientes para que sejam abordados pela PM, apanhados na Lei Seca ou achacados legalmente nas vistorias do DETRAN, privilégio dos motoristas fluminenses. Além do mais, a família sempre andou por cima, de helicóptero.

Entretanto, entre os bens a serem leiloados, não vi na relação recentemente divulgada os 20 ternos feitos por uma elegante grife italiana para Cabral, coisa que pode me interessar, dependendo do estado do produto e das condições de pagamento, parcelado no cartão ou a vista.

Como, na época dos guardanapos, o enfatiotado em questão estava mais gordo, e, pela foto da cadeia com a escala de altura, ele é mais alto que eu, poderia ficar com um, pra encarar os casamentos dos próximos 5 anos.

Para tanto, na calça e nas mangas do paletó, desapropriado de um defunto político maior, bastaria contratar a costureira do primeiro parágrafo para fazer bainha. Quanto ao retângulo costurado no bolso interno do forro, Ermenegildo Zegna, su misura, exclusively for Sérgio Cabral, acho que o faz-tudo pode falsificar tranquilamente o Cabral para Carvalho, meu sobrenome por parte de mãe. Para tanto, bastaria raspar a base da letra b, tornando-a h. E, então, bordar as letras “v” e o “o” para finalizar a edição com sucesso.

Eu pagaria 50 pratas pelo terno, 100 para costureira e bordadeira, 50 pela legítima adulteração e 50 de tintureiro para arrematar um azul marinho ou grafite com pouco uso.

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