21 homens e um destino

OS SETE SAMURAIS, SETE HOMENS E UM DESTINO (1960) e SETE HOMENS E UM DESTINO (2016)
A história da contratação de um grupo de mercenários para salvar uma aldeia dos malfeitores já foi materializada pelo cinema pelo menos três vezes. Do original “Os sete samurais”, um épico extraordinário de 1954 que veio confirmar o gênio de Akira Kurosawa, que passou a ser mais cultuado a partir de Rashomon, produzido 4 anos antes.
A história é de uma aldeia de camponeses simples e muito pobres que sofre permanente ataque de violentos forasteiros que roubam, saqueiam e humilham os homens, deixando-lhes sem a produção de trigo e arroz que lhes garante o sustento. Para se protegerem, contratam o serviço de um samurai em fim de carreira que agrega mais seis companheiros desempregados para realizarem uma ofensiva contra os predadores. E aí a história se desenrola com foco central nas crenças antiquadas daquela população fraca e acovardada que esconde as mulheres para que elas não fiquem tentadas com os samurais.
O filme se alonga por 3 horas e meia e tem o seu clímax na batalha final entre os defensores e agressores filmada com grande agilidade e maestria por Kurosawa com elementos que passaram a inspirar diversos faraoestes clássicos.
Na cola dessa história incrível de compra de proteção, Holywood produziu em 1960 o inesquecível “Sete homens e um destino”, levando a mesma história para o velho oeste e substituindo os samurais por caubóis, assim como a aldeia medieval japonesa por um lugarejo mexicano. “ Sete homens e um destino” ficou também conhecido pelo tema musical de Elmer Berstein que, de tão inspirado e marcante, foi usado 46 anos depois na versão de Antoine Fuqua de 2016. O filme de 1960, um clássico do western, é dirigido pelo experiente John Sturges e traz uma constelação de astros como Steve McQueen, James Coburn, Yul Brynner, Charles Bronson, Eli Wallack e Robert Vaughnx.  Um programa interessante é assistir a versão de Kurosawa, cinematograficamente mais preocupada com os caracteres psicológicos dos personagens, e depois ver a versão americana em vistoso technicolor e recheada de ação.
Já a versão mais nova, dirigida por Fuqua, que tem o mérito de não deixar que o western como gênero desapareça completamente, lançada em 2016, procura atender a questões politicamente corretas e se preocupa em colocar no time um negro, um índio e um chicano. Denzel Washington é a estrela principal do elenco que tem ainda Ethan Hawke, Chris Pratt e Peter Sarsgaard. Completando a intenção de ficar no protocolo da modernidade, coloca ainda uma mocinha (Halley Bennet) numa dimensão decisiva na história, entrando na briga, desafiando as barreiras que encontra pela frente em total harmonia com a ação, mostrando que há lugar para jovens atrizes no mundo que sempre foi dominado por homens como os filmes de faroeste.
Programa triplo. Vale conferir.

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