Programa de Índio

“Enquanto houver bambu vai ter flecha”, disparou Janot em relação aos seus alvos preferenciais, Temer e Aécio. Ou seria a política mineira? Ou os três, com uma candidatura majoritária escondida atrás da moita, mas na mira da aposentadoria em setembro?

O fato é que o linguajar cheio de arestas que povoa o rebuscado mundo jurídico está sendo aplainado para dar lugar a outro, mais coloquial, que tangencia o popular, familiar até, falado em volta da mesa, bem ao sabor dos conterrâneos.

Para descer bem goela abaixo dos potenciais eleitores, sem Pimentel, Aécio ou Anastasia, atingidos por ele e operados sem anestesia por boa parte da plateia formada por jornalistas investigativos, o cacique do ministério público aproveitou o congresso dos destinos preferenciais dos vazamentos seletivos da sua turma. Sim, o chefe resolveu pintar a tribo de jenipapo e urucum para as últimas e decisivas batalhas.

Atração maior do encontro, mas esvaziada na esfera do MP, a ainda caudalosa fonte em on, visivelmente mais magra, resumiu a assim a overdose de prêmios aos Free Boys: “Se o MP não pode oferecer imunidade ou redução de pena vai oferecer o quê? ... caixa de bombons Garoto, pão de mel, cachaça e torresmo?”

Faltaram o pão de queijo, a broa de milho, café coado no pano, uns aninhos de reclusão, dois passaportes sem lancha ou avião e duas tornozeleiras, mas o fato é que o procurador está achando direitinho o caminho para atingir o seu público alvo: prosear fiado.

Porém, com uma virtual candidatura ao governo que já começa baseada no combate seletivo à corrupção, que esquece dos velhos investigados, sobretudo dos populares carismáticos para angariar mais votos, o tutu pode desandar. E faltar tropeiro para a longa viagem, o que transformaria a empreitada em programa de índio.

Pra piorar, tem muita gente desmatando as moitas de bambu.  

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