Vale Tudo


“Segundos, fora!” Este era o comando para que os auxiliares dos lutadores, geralmente treinador e massagista, deixassem o ringue para o início da luta ou de um novo round.

As imagens de Trump massacrando o logotipo da rede CNN nas laterais de um ringue, montagem produzida a partir de um filme realizado há 10 anos, quando o laquê que até hoje sustenta o topete em balanço já servia de proteção, pode dar o fôlego de que o nosso presidente necessita.

Bem mais adequada em termos estéticos, a atual marca da Rede Globo é redonda, colorida e brilhante. Se for bem trabalhada na pós-produção, pode lembrar um capacete fechado. E, como se sabe, o povo não é bobo, embora, talvez, o Ibope o seja.

Hoje seguro nas cordas, cansado de apanhar de Janot e da Globo, sob o variado patrocínio dos Free Boys, Temer pode sair do corner sem jogar a toalha. Para tanto, basta que o vampiro chupe o sangue da emissora, a exemplo do que vem fazendo com a revista Carta Capital - pow, zás, bum –, o derrotado diário oficial, hoje sem acesso aos hemocentros publicitários estatais.

É verdade que a vitória não lhe sorriria tão fácil como em um anúncio da Colgate Total 12. Não seria tranquilo como tirar o doce de uma criança, conforme ocorreu por ocasião da açucarada marmelada feita na chapa com Dilma. O estelionato eleitoral deixaria todo mundo com cara de tacho, crime que, indiretamente, viria a tornar pó a carreira de Aécio, atual companheiro de infortúnio, e não por acaso mineiro.

O que se sabe é que não há como simplesmente abaixar a guarda. Afinal, a reação contra o bambuzal do índio de Minas Gerais, cujas flechas apontam para o futuro no Palácio da Liberdade e não para o chamuscado presente, já começou. Tal como os espartanos contra os persas, Temer combaterá à sombra da acusação de um prêmio mais que suspeito, absurdo, para uma delação claramente seletiva.

Ontem, uma flecha pegou num baiano que vinha assediando uma mulher no WhatsApp, coisa mais natural do mundo, não fosse Geddel um dos segundos de Temer. Já são três segundos fora: Cunha, Henrique Alves e o vice da Caixa dos tempos de Dilma. Permanecem de pé no ringue o treinador e o massagista de ego, Padilha e Moreira, que só cairão com o lutador, cuja resistência já ultrapassa a da presença de Rocky Balboa na tela quente.

Porém, traduzindo a expressão da etapa Cui bono da Lava-jato, a quem interessava o dinheiro barato do FGTS, senão ao campeão nacional em anúncios da Globo?

Como a melhor defesa é o ataque, já penso em reviver o Telecatch Montilla, sucesso dos primórdios da emissora. Depois dos vilões Rasputim Barba Vermelha e Verdugo, este sempre acompanhado do seu auxiliar Pé-na-Cova, teríamos o Vampiro do Jaburu lutando todas as noites nos intervalos da programação. Como segundos fora dos 30 segundos, teríamos Caixa, Banco do Brasil, Petrobras, BR, Correios e BNDES, sócio minoritário de quem está do outro lado da grade da Vênus Platinada.

#Temer #Globo #Janot