O nosso Macron

Diante de nosso deserto de opções para a chefia do Executivo a partir de 2019, todas situadas entre as terríveis e as tenebrosas, e enquanto o parlamentarismo não vem para aplacar o apetite do baixo clero e, de quebra, inaugurar a prática de coalizões republicanas entre os caciques, à luz do dia e dos votos, cabem algumas especulações e – por que não? - sugestões.

De minha parte, tenho lido algumas manifestações acerca de quem poderia ser o nosso Macron, o jovem líder francês que foi conduzido à presidência pelo medo da perdulária “gauche” e pavor da “droite” ultranacionalista de Madame Le Pen.

Considerando que a autoproclamada esquerda daqui ampliou a escala da corrupção para níveis planetários; é fundamentalmente calcada no corporativismo do serviço público e tem assumida simpatia pelo regime bolivariano de Maduro; e, por outro lado, que a direita vem associada ao guloso rebanho evangélico, devorador de incentivos, e à oportunista bancada da bala, o nosso caso é ainda mais crítico.

Do Palais d’Elysée, na Cidade Luz, ao similar do Planalto, em completo apagão desde a assunção do poste sem luz, pode-se dizer que não há semelhanças possíveis, pela ausência total de candidatos preparados ao posto.

Entretanto, otimista inveterado que sou, vislumbrei uma característica que pode forjar um legítimo Macron dos trópicos a partir da experiência vivida pelo presidente francês.

Macron estudou Teatro, o que é ótimo para nossos tribunos. Fascinado pela professora, não tardou a se apaixonar perdidamente pela mestra. E precisou reunir todos os seus predicados, incluídos os gestuais somados por ela ao dom de exímio orador, para convencer a sua preconceituosa família, que via naquela senhora pouco mais que uma sedutora de menores, ainda que o rapaz já tivesse idade suficiente para tomar suas próprias decisões. O fato é que se o homem fosse o mais velho do casal, pouco ou nada teria acontecido.

Há que se registrar que a diferença de 24 anos decerto apararia diversas arestas políticas que a juventude costuma provocar. Sem arroubos juvenis, muitos controlados no contraditório promovido no seio do lar, com um bom vinho para esquentar o clima político levado ao ambiente doméstico, bem como os desdobramentos naturais das reconciliações posteriores às DRs, venceria a sobriedade. Tal relação com reflexão contribuiria para o duplo discernimento, fenômeno que dispensaria o poder moderador inexistente na sogra, de idade avançada, não raro o precipitado destino de uma cônjuge imatura.

Pois é dessa harmonia reinante, a que garante um sóbrio pétit déjeuner entre baguetes, croissants e geleias, que podemos peneirar e descobrir potenciais candidatos ao difícil e patriótico encargo.

Penso, portanto, em recrutar tais promessas entre os maridos de nossas celebridades da tevê e do palco, em particular aquelas da música e das artes cênicas. Por mais discretos que sejam, a partir dos necessários coachings partidários, terão de deixar de ser recatados e do lar.

#eleiçãopresidencial