Poderes desalinhados


Nesses tempos conturbados em que estamos vivendo, a única coisa que esta desclassificada classe política atuante faz é resguardar teoricamente a paz social e os interesses partidários e, acima de tudo, os interesses de seus próprios grupos. Não se pode jamais conceber tamanha vergonha administrativa com um presidente tendo o mesmo comportamento de sua antecessora, quando a petista teve a cara de pau de nomear outro cara de pau para o Ministério da Justiça, Eugênio Aragão, com o pensamento de cortar os passos da Polícia Federal. E o que fez Temer recentemente, nomeou Torquato Jardim, com o mesmo objetivo.

Como o PT de Lula e Dilma deixou como legado à falência moral e financeira do país, Temer nada quis de diferente. Naquela conversa com Joesley Batista mostrou a clareza de seu inexistente caráter de homem público e nem assim teve a coragem de se mandar do Planalto Central, pois, sabe muito bem que o povo brasileiro já não confia mais no que fala e demonstra. Não há mais credibilidade nesse governo do senhor Michel Miguel Elias Temer. Já era!

E nesses últimos acontecimentos levados pelo efeito causado no julgamento da chapa Dilma/Temer, a credibilidade do chefe da nação, que já era quase nenhuma, está zerada e, pior, levou consigo o Judiciário. Mesmo sem qualquer força política o presidente de plantão no Planalto renegociou dívidas com os Estados, faz o que bem entende, mas mesmo assim, jamais convencerá os brasileiros. Diz que não renunciará, apesar de denunciado pela Procuradoria Geral da República e tendo o voto do relator da CCJ, pelo provimento da abertura do processo.

Dias atrás e com toda a crise política em curso, o presidente promoveu uma “boca livre” no Palácio para Governadores, com o pensamento claro para garantir apoio à sua permanência no poder. Aliás, foram dezenas de alianças e jantares para ministros, magistrados, parlamentares, políticos, presidentes de estatais e, porque não, para até familiares. Ora no jaburu, ora no Planalto.

Não se falando naquela noite que recebeu o Ministro Gilmar Mendes para uma “conversa intima”.

Que vergonha foi aquilo?

A dinâmica da política no Brasil mostra um Presidente da República que o povo não votou, foi eleito sem votos, vice presidente na chapa encabeçada por Dilma, mas, pelas circunstâncias ocorridas tenta comandar um governo um ano depois que assumiu após a destituição da titular. Busca-se no momento, em todos os níveis, criar uma espécie de comboio da esperança que terá de puxá-lo todos os homens responsáveis do país, já que, contar com essa classe política desalinhada, não dá mais. Na perplexidade apresentada chegamos a esta situação esdrúxula, sem qualquer expectativa.

Por fim, vê-se que, a história se repete. Lula, Dilma e agora Temer se apresentaram como governantes inidôneos e se esconderam no Planalto como presidentes da República, usando a instituição, para apresentarem malfeitos em todo os tempos que lá ficaram produzindo denúncias variadas por malversação com a coisa pública. E, com as provas das irresponsabilidades dos três, espera-se que o atual STF, mesmo desorientado, com seus membros em guerra de egos, faça com que os corruptos paguem por seus crimes. É o que esperamos.

O QUE ESTÁ PERDIDO NÃO TEM COMO SER ACHADO!

Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político. Publica seus artigos em 11 jornais diários e 16 semanários do RJ.