Quem viverá Trump no cinema


O cinema americano adora mergulhar na história do seu país, nem sempre com a isenção que deveria, mas também com alguma frequência o faz evitando varrer a sujeira para baixo do tapete.

O presidente Nixon, que renunciou para evitar um impeachment pelo escândalo de Watergate, foi um personagem bastante retratado, assim como o episódio que interrompeu seu mandato. “Todos os homens do presidente“, de Alan J Pakula é um filme referência que explora passo a passo o exaustivo trabalho de dois jornalistas (Carl Berstein e Bob Woodward) vividos por Dustin Hoffman e Robert Redford na investigação de um dos maiores escândalos da democracia americana. Mais tarde, Nixon mereceu um filme biográfico dirigido por Oliver Stone, cuja performance de Anthony Hopkins no papel título impressionou pela semelhança. Tempos depois, Nixon seria o personagem do excelente “Frost x Nixon” de Ron Howard sobre uma complicada entrevista concedida pelo ex presidente a David Frost num talk show britânico. Essa entrevista foi conseguida três anos depois da renúncia, depois de um enorme período de silêncio do ex-presidente. Frank Langela faz o papel de Nixon e Michael Sheen o papel do jornalista.

Kevin Costner viveu John Kennedy no filme, também de Oliver Stone, chamado “JFK, a pergunta que não quer calar”. Kennedy, ao contrário de Nixon que ganhou relevância pelo escândalo, foi um queridinho da América e representava como ninguém o ideal americano por ser um personagem bonito, sorridente, rico e casado com uma aristocrata muito charmosa. Ela mesmo já mereceu papéis no cinema como o recente e fraquinho “Jackie”, com Natalie Portman num esforço gigantesco para encarnar a exuberante personagem.

Abraham Lincoln teve sua juventude como advogado retratada em “A mocidade de Lincoln” de John Ford. Um filme delicioso com o legendário Henry Fonda no papel principal. Recentemente, Spielberg produziu um filme sobre a atuação do presidente na questão da escravatura e na guerra de Secessão. Daniel Day Lewis, como sempre, encarna seu papel de forma absolutamente soberba. Até Barach Obama já teve seu filme, focado na sua juventude com Michelle, anos antes de entrar na Casa Branca. “Michelle e Obama” não é um grande filme, mas é um bom presságio para imaginar que o primeiro presidente negro a ocupar a cadeira presidencial americana possa render ainda ótimos longas. Uma curiosidade é que o presidente Andrew Jackson, aquele da nota de 20 dólares, foi vivido no cinema duas vezes pelo mesmo ator, Charlton Heston. Uma vez em 1953 em “O destino me persegue” e outra vez em 1958 em “Corsário sem pátria”.

Roosevelt (FDR) talvez tenha sido o maior presidente dos Estados Unidos. Pegou o país em 1933 ainda vivendo as agruras da depressão e criou um programa de reconstrução chamado de New Deal, e só não terminou seu quarto mandato porque morreu em 1945 depois de toda a participação americana na Segunda Grande Guerra. Não faltaram filmes da WWII com referência a FDR, mas Bill Murray fez o papel do presidente em “Um fim de semana em Hyde Park”, que conta o pitoresco episódio da visita da rainha britânica aos Estados Unidos. E para a TV americana, Keneth Branagh interpreta o presidente americano num filme bastante biográfico.

Com tanta vocação para retratar seus líderes políticos, o país agora tem um personagem que, pela sua bizarrice, dá baldes de assunto para um livro, um filme, uma comédia burlesca, qualquer coisa fácil de vender. Resta saber quem o interpretará e se vai conseguir fazê-lo com a mesma canastrice que o original. Vamos aguardar.

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