O Herói de duas estatais

Assim como Garibaldi guarda o epíteto de herói de duas pátrias, Brasil e Itália, Bendine é o guerreiro petista que merece ser saudado e lembrado como o guerreiro de dois patrimônios do povo brasileiro, BB e Petrobras.

Se nem todos possuem uma jovem Anita para chamar de sua, há a possibilidade de recíproca, gênero bem mais popular aqui por nossos rincões. O Dida da Dilma, legítimo representante de nossos comandantes ítalo-brasileiros, entre os quais Palocci e Mantega, por muito tempo foi obrigado a se postar à margem da grande revolução, então empreendida pelos duplos compatriotas.

Ministros e conselheiros, tais aliados de primeira hora eram homens da estrita confiança da mulher honesta de coração valente. E, sobretudo, briosos soldados do líder supremo, o Nove Dedos, o todo-poderoso que nada sabe, nada vê e nada tem, cuja alma santa e o corpo castigado são sustentados pela brisa amiga da solidariedade cristã.

Talvez inspirados em Giuseppe Garibaldi, os galhardos ocupantes da Fazenda, uma vez associados aos agentes do petróleo, Paulinho do Lula e Duque de Dirceu à frente, foram os grandes responsáveis pela importação da Operação Mãos Limpas para o Brasil. Delatados pelos traidores, tais corruptos lutaram como ninguém para o sucesso da Lava-jato em solo pátrio, tendo colaborado, de maneira incansável e ainda não premiada, pela unificação do país. Oblíqua e involuntariamente, serão dois dos responsáveis pela implantação de uma república não patrimonialista ao sul do Equador, redundantemente republicana.

Já Bendine, depois de querer expropriar R$ 17 milhões da Odebrecht Agronegócio em prol da causa comum, quando atuava em suas trincheiras cavadas no Banco do Brasil, e de ter sido humilhado pelo baiano-paulista Marcelo, Dida perseverou, sabedor de que quem espera sempre alcança. Assim, soube aguardar a possibilidade de um contragolpe ou transição ofensiva, como preferem os nossos jovens professores ao darem tratos à bola.

Pois quando era maior o desespero pela publicação das contas dilapidadas da Petrobras, Dida, uma vez acionado por sua Dilma, soube colocar o balanço na balança. Com bilhões em contas da Odebrecht ainda a pagar, oriundos de contratos pretéritos, passou a ter a faca e o queijo parmesão na mão.

Tomou para si parcimoniosos R$ 3 milhões, decerto justificáveis pela pública e contundente lição de moral que esse magnífico ator aplicou nos dirigentes presos, que viam suas esfarrapadas alegações serem desmoralizadas pelas evidências, provas e mais provas de excessos de lavagens que transformavam suas defesas em Farrapos, como a guerra brasileira de Garibaldi.

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