Bolsa Louis Inácio Vuitton

 

Se os verdadeiros amigos do ex-presidente estão rareando, em virtude de problemas partidários, carcerários ou ambos, em boa hora surgiu uma amiga de coração valente e closet abarrotado para oferecer ao desamparado líder o ombro amigo, naturalmente o esquerdo, sobre o qual passará a sustentar, a tiracolo, uma bolsa Vuitton recheada de gêneros de primeira necessidade.

A banqueira e socialite de confissão stalinista rodou a baiana contra a Justiça Federal paranaense, que determinou o bloqueio dos bens e das contas de Lula. E no giro da carnavalesca fantasia da herdeira de banco suíço surgiram R$ 500 mil para instituir a Bolsa Lula Vuitton, iniciativa que há de contar com o irrestrito apoio da Federação dos Bancários, ligada à CUT.

A módica quantia poderá ajudar o desassistido a sobreviver sem os R$ 9 milhões e quebrados do esquálido fundo de previdência privada de que o mestre foi privado, bem como a resistir com um mínimo de dignidade e recursos, uma vez destituído de mais de R$ 600 mil distribuídos entre suas contas correntes. Tal montante foi tornado indisponível por implacável perseguição de Moro, sabidamente o obsessivo algoz do estado de direito que, travestido de Lava-jato, trama a destruição da Petrobras para a entrega do pré-sal ao capital internacional a preço aviltante.

Contra a medida de exceção, levanta-se a benfazeja criatura, despegada de bens materiais como toda militante do PC do B. Dotada de aguerrido espírito bolivariano, a despojada não pensou duas vezes antes de oferecer ao mártir, de sua cidadela em Zurique, dezenas de artigos de grife para irem a leilão beneficente no Country, no Jockey Club, na Hípica e no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

Por outro lado da aduana, ainda sem a necessidade de exibir um penduricalho eletrônico no tornozelo, apesar da recente condenação, mas ora beneficiário ou usufrutuário de tantos e tão desejados objetos, Lula conta em reservar desde já o acessório no país alpino para se valer frente a qualquer eventualidade processual.

Segundo companheiros de perseguição política, tal aparelho, em falta nas principais praças do país, Três Poderes liderando a lista de carência, peca pela falta de uma marca de renome para dominar de vez o mercado brasileiro, em franca expansão. A natural penetração nos pés das elites brancas, a mesma que soube seduzir o exagerado casal Adriana e Cabral, visível a partir da temporada do cônjuge feminino no Leblon, pode determinar o modelo.    

Lisonjeado pela ação de filantropia e benemerência, o Sem Conta honorário agraciado prometeu instituir o controle da mídia durante ato público realizado na Faculdade de Direito da UFRJ. No mesmo diapasão da banqueira stalinista, o anúncio em discurso solene da promessa de regulação dos meios de comunicação, à moda Maduro, deverá levar ao delírio não só os blogueiros progressistas, mas, sobretudo, os jornalistas sindicalizados.

Destarte, reunida em uma gigantesca mala Hermés, bem mais elegante que a utilizada por Rocha Loures em seu tour d’argent eternizado pelas câmeras dos paparazzi do Ministério Público, incidente gravado às portas de uma prosaica pizzaria paulista, parece claro que seus 500 mil reais são outros 500 mil réis.

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