Choque de ordem

Choque de ordem é a operação. As calçadas da Avenida Copacabana amanheceram livres dos camelôs. Que maravilha! Ir e vir com conforto, sem ter que se desviar de nada, gente, tabuleiro ou oleado no chão. Só gente caminhando, indo e vindo. Sonho de um passado ou possibilidade atual? Passada a operação, satisfeita a autoridade (incomodada e motivadora) solicitante e a tendência é de que tudo volte ao que era antes no quartel de Abranches.
Uma questão sem solução essa dos camelôs. Querem ficar nas vias preferenciais, de movimento, e em locais estratégicos, de intensa circulação. O movimento duplica, o espaço diminui, o ir e vir torna-se um aperto, essa é a palavra. A paisagem se enfeia, são artigos de todo tipo, de frutas a colares, chapéus a soutiens, carregadores de celular a camisas de futebol. Sacos plásticos pretos com o “estoque’ pelas calçadas, a cadeirinha de armar, muitas vezes o parceiro, que pode ser esposa, filho, colega, e o que seria espaço de circulação se transforma em local de comércio, de exibição de mercadorias. Um prejuízo à função de via de comunicação que tem a calçada, ou passeio, como quer a prefeitura.
Uma atividade informal fundamental à boa parte da nossa população, isso não há dúvida. E que deixa brecha a intensos desvios de finalidade, devido à dificuldade de controle, separar os autorizados dos “abusados”. Os roubos de carga dos caminhões nos acessos à cidade são realizados a mando, inclusive, de grandes redes do mercado varejista. Essas mercadorias são distribuídas e, é óbvio, chegam aos ambulantes desonestos. Que estão misturados aos demais. O camelódromo da Uruguaiana, por exemplo, vira e mexe está no noticiário policial. E agora? Estimulamos o crime ao comprarmos em camelôs? Produtos piratas, em grande quantidade, dão à população mais pobre a oportunidade de adquirir seu objeto de desejo de consumo, aquela bolsa de grife, aquela sandália, o relógio Rolex rola redondo nos tabuleiros da cidade...
Organizá-los é o desafio.

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