Tahiti

06/09/2017

Sally,

Passeava eu pela rede procurando morenas, mulatas, gravuras. Queria alguma imagem que ilustrasse a crônica do Luis Eduardo, e me lembrei de Gauguin, aquele que eu deveria ter sido, se tivesse coragem.

Nunca fui ao Tahiti, Sally. E, pelo avançado da hora, acho que não irei mais.

Mas colecionei imagens de praias paradisíacas de águas mornas e cristalinas, muitas que conheci pelos olhos de Gauguin, fosse nos livros ou no cinema.

O cinema era a nossa internet, lembra, Sally? Não tinha link nem botão de replay, mas a gente guardava as imagens, as informações e assim viajávamos pelo mundo.

Queria ter ido ao Tahiti com você, Sally!

Sonhos lúbricos de cores intensas, bangalôs à beira d’água, corpos nus curtidos no sol.

Me pergunto por quê não fomos?

Será que não fomos feitos para viver a vida com arte?

Ou estaríamos condenados a expiar a culpa cristã, e expurgar o prazer com trabalho?

Fica feita a promessa: se próxima vida tivermos, seja você Sally, Lygia ou simplesmente Maria, nós vamos ao Tahiti.

Nem que seja de balão, como personagens de Júlio Verne, como náufragos agarrados a espumas, ou como turistas em lua de mel. Mas vamos!

Não vamos?

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