Inclusão social infantil na Bienal do Livro


A importância da leitura que retrata a deficiência na vida das crianças brasileiras

Aberta a todos os públicos e a todas as idades, a maior feira literária do Brasil também chamou atenção por temas como a inclusão social. Na palestra promovida na última terça pelo Grupo Editorial Zit no Auditório Lapa, Andrea Viviana Taubman autora do livro “O menino só”, que expõe o complexo mundo das crianças autistas e a escritora de “As aventuras de uma criança DOWNadinha”, Alessandra Almeida Maltarollo, explicaram a importância de uma literatura infantil que conte como acolher as crianças com deficiência cognitiva. “Diferente não é sinônimo de ruim. Falar e esclarecer o tema é o primeiro passo para que as pessoas possam entender como vivem essas crianças”, explica Andrea. A autora propôs ainda um exercício com o público: se imaginar preso em uma balsa, usando roupas e sapatos apertados, com um apito alto soprando em seu ouvido por incontáveis dias e noites e o vislumbre de pessoas rindo histericamente de você. “Bem-vindos à vida de uma pessoa que está dentro do espectro autista.” Andrea relatou o autismo como uma deficiência invisível presente em uma sociedade visual, ou seja, por não ser perceptível a olho nu como as outras deficiências, ele é tratado com ainda mais descuido. No entanto, a divulgação do transtorno está crescendo nos últimos anos. Um exemplo disto é a série estadunidense “Atypical”, que tem como protagonista um garoto autista de 18 anos. A série mostra com precisão a rotina de sua família e a mobilização das pessoas a sua volta para acolhê-lo, o que, afirma Andrea, teve aprovação da comunidade autista. O livro “O menino só” não possui apenas ilustrações e versos de Andrea, há também um texto de apoio para esclarecimento direcionado a pais e professores e o resumo dos principais sintomas do TEA (transtorno do espectro autista) para diagnóstico das crianças autistas que os leitores possam vir a conhecer. Todavia, Andrea lembra que cada pessoa autista possui características únicas que não dispensam observação mais detalhada. Apesar de seus livros retratarem a rotina de deficientes cognitivos, ambas as autoras esclarecem que esta literatura também é importante para crianças que não possuem este tipo de deficiência. Alessandra conta que a maioria das famílias que compram seu livro apreciam a forma leve como a síndrome de Dawn é tratada, sem o abismo da diferença. “A inclusão acontece quando se vê a criança e não a síndrome.” Em “As aventuras de uma criança DOWNadinha” Alessandra retrata a vida de Clarisse, sua filha de onze anos que tem síndrome de Dawn. A autora, graduada em pedagogia, diz que Clarisse foi a parte prática de sua profissão e que ao colocar a filha em creches e escolas não especializadas na síndrome, observou que o preconceito se adquire, não nasce com as crianças. “São as crianças que pedem aos pais para comprarem o livro. Elas o acham colorido e bonito. Nas livrarias, os livros que falam sobre deficiência estão na parte ‘assuntos delicados’, lá em cima, ou seja, não são feitos para crianças. Quando pensei no livro não o queria no alto das prateleiras, queria que as crianças pudessem ler.”, conta Alessandra.

Os livros “O menino só” e “As aventuras de uma criança DOWNadinha” estão expostos no estande do Grupo Editorial Zit, Pavilhão Azul, Rua I, 25. Além deles, quem desejar conferir a editora, também encontrará livros voltados para o público adulto.

Foto: Julia Dias - AgênciaUVA

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