Bijuterias em campo

 

A Suderj informa que poderei voltar aos meus artigos diários. 
Ficam suspensas, portanto, as pílulas diárias por meio das quais conseguia frequentar o Planalto, visitar Atibaia, vaiar o sub-premo, dar uma passadinha no Jaburu, um pulo no triplex, ver o senado libertar Aécio à tardinha, conferir recibos de São Bernardo forjados em São Paulo e testemunhar a áurea abolição da escravatura nas fazendas. 
Fato é que a informação de hoje atribuída à Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro é a de que sai a ficção verossímil e entra a realidade difícil de acreditar. 
E - fora Temer, fora Lula, fora tetas da viúva - o faço em homenagem àquele que destruiu o Maracanã, o Maraca que era nosso e hoje é da Odebrecht, justamente a joia da Suderj. Curiosa peça do destino, Cabral e seus guardanapos torná-lo-iam bijuteria ao (di)lapidá-lo três vezes: PAN, Copa e Olimpíadas: barba, cabelo e bigode. 
Volto ao trabalho não remunerado assistindo ao espetáculo de arrogância do arrecadador assumidamente exagerado, cheio de sobras de campanha, e não ao drama do corrupto condenado de forma injustiçada. 
O capo, cabeça de Pezão, em contraposição, deverá sair de férias da sua pitoresca Benfica para uma curta temporada em uma instituição pertencente ao governo federal, com o qual somou forças e ajudou a exaurir seus cofres e encher as suas burras. O burro abriu o bico por ter alcançado os 100 anos de condenação. Porém, não foi por roubo de galinhas que viu suas penas somadas.
A temporada será curta porque tenho certeza de que logo um recurso à instância superior fará com que a viagem do cacique seja breve, o que importará apenas em duas dispendiosas viagens aéreas, especialidade do paxá de Mangaratiba, com seu exército de babás sempre pronto a cruzar os céus da Lagoa à Costa Verde, missão não raro apoiada pela famosa divisão canina aerotransportada.
Pois Cabral, mostrando que quem foi rei não perde a majestade, não se fez de rogado, ao passar, em transmissão ao vivo para todo Brasil, uma descompostura em regra no juiz, cuja família estaria no ramo das bijuterias. 
Depois de providencialmente interrompida a sessão pelos advogados, tudo indica que, atraiçoado pelas delações das joalherias H.Stern e Antonio Bernardo, Cabral estaria desejoso tão somente do contato comercial das bijuterias artesanais e, quem sabe, ser agraciado com uma pechincha para garantir um brilhante natal para a patroa distante. Talvez uma tornozeleira de strass para aliviar o stress.

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