MANIFESTO

Um discurso ideológico sobre a arte, a contradição da arte, a necessidade de ser um instrumento de engajamento e também de transformação. A arte nas diferentes formas de se manifestar, bela ou perturbadora, ingênua ou irada, niilista ou cósmica.
Essas questões poderiam e deveriam ser trazidas em “Manifesto”, um filme complexo e pretensioso dirigido e escrito pelo desconhecido Julian Rosefeldt. Há um excesso de intelectualismo abstrato no texto que soa falso e pernóstico, apesar de alguns momentos plasticamente belos e intensos. Contar com a versatilidade de Cate Blanchet em treze papéis serve para confirmar o imenso talento daquela que é, sem dúvida, uma das mais completas atrizes de sua geração.
Mas nem Cate consegue reverter o resultado longo e enfadonho, com excesso de códigos herméticos e discursos políticos envelhecidos. A intenção do jovem cineasta alemão em parceria com Blanchet era criar algo provocador, polêmico, intenso, constrangedor. No entanto, a obsessão de fazer algo único prejudicou o resultado. Só sobrou o constrangedor.
Poucos espectadores terão paciência para curtir com prazer os 95 minutos de projeção.

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