Somando forças

Tudo indica que PMDB e PT estão reatando o namoro, com vistas a um novo casamento no fim do ano que vem. Simples tesão? Conveniência? Prefiro classificar a sazonal união como uma espécie de sadomasoquismo terceirizado, cruel perversão bipartidária contra um prazeroso sofrimento do rebanho, fugaz efeito manada.

Quem estará por cima ou por baixo será o de menos, mas, de antemão, já podemos adivinhar quem será seduzido, não interessa se por dinheiro, religião, indicação do pastor, pressão do traficante local, indicação da milícia, amor incondicional, militância na condicional, habeas corpus do Gilmar ou guerreiro no regime semiaberto.

A relação entre os bons partidos vinha deteriorada, desgastada e estremecida desde o chute na bunda do patético coração valente. Entretanto, a pobre criatura das trevas, iluminada pelas labaredas de Pasadena, cujas chamas atingiriam refinarias que sequer saíram da pedra fundamental, foi salva da fogueira de oito anos sem foro pela ação direta de inconstitucionalidade de Renan e Lewandowsky.

Graças aos então presidentes do Congresso e do Supremo, hoje o subpremo que abriu as portas para livrar o privilegiado Aécio, excelências que chegaram a uma interpretação heterodoxa ao apagar das luzes do impeachment, a vítima há de parar de acusar o golpe para fazer terapia. Individual e de grupo.

De resto, após um divórcio litigioso coalhado de escândalos e acusações mútuas, cisão que dividiu famílias, nada como uma boa e apimentada reconciliação, com apoteóticos orgasmos fingidos, renovação de votos e reiteradas juras de amor eterno ao povo brasileiro.

Daí a solução de uma republicana DR para resolver a parada. República alagoana, maranhense, não importa, desde que suficientemente patrimonialista para melhor receber a bênção de São Bernardo do Campo, santo padroeiro do fértil campo dos vigaristas profissionais, inclusive estudantis e sindicais.

Portanto, pelas mãos de Lula e Renan, e logo costuradas pelos 10x+9 dedos dos caciques peemedebistas, onde a variável é invariavelmente suspeita de ajudar a estancar a sangria, de Eunício a Barbalho, de Raupp a Jucá, os apóstolos petistas calaram o “fora Temer” para, irmanados àqueles que estão dentro do governo outrora golpista, saírem em pregação e arrecadação de recursos, especialidade da casa rearrumada, em vibrante harmonia.

E, por estas bandas cariocas, estendidas ao interior fluminense, não será diferente. A delação da Prole está no prelo, o que representa que a prolífica prole política de Cabral em sua cadeia particular para homens de fino trato tende a aumentar nos próximos meses. Ou não.

O núcleo presidiário do PMDB, que deu show de organização com a tocante recepção a Nuzman, reconhecido como o cara das olimpíadas, tem tudo para comandar a sucessão nos planos estadual e federal por aqui.

Com a homologação do marqueteiro de Cabral nas mãos do companheiro Lewandowsky, togado ativista que pertence à outra facção, novamente aliada ao amigo dos amigos da Odebrecht, a Mangaratiba atrás das grades espera somar forças com sobreviventes de Paes, arrependidos rebeldes do esquema Aezão, zumbis de Maricá e, sobretudo, sobre todas as coisas, com o capo barbudo, que já prepara a caravana triunfal pelo baixo-Baixada.

Nada que alguns punhados de celulares pré-pagos introduzidos por parlamentares ligados aos direitos humanos, à turma da bala, ao pessoal da bíblia ou à prole de Cabral não possam arranjar para a negociação em nove dedos de prosa.

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