Chão de Estrelas

 

O tom foi dado por Orestes, não o Barbosa, compositor da canção que empresta o título ao artigo, mas pelo xará Quércia, então dono do PMDB paulista, criador às avessas da sigla PSDB. Como bem disse o falecido ex-governador, com muito orgulho e com muito amor, ele fez o sucessor, ainda que, para tanto, tenha quebrado o Banespa.

Eram tempos em que o importante era aparecer no palco iluminado para mostrar conquistas vestidas de dourado, tudo para angariar o voto do palhaço das perdidas ilusões.

Até que surgiram alguns bravos bandeirantes, militantes da social-democracia francesa em Higienópolis, rive gauche do Rio Pinheiros: égalité, fraternité, liberté et responsabilité. E lá se foi o conjunto, Tietê(é) abaixo e acima, para botar os guizos falsos da fisiologia em quem de direito, que direito nada fazia por direito adquirido nas urnas.

Na ocasião, a pomba-rola que voou aos quatro ventos voltou tucana, sem estranhos no ninho, pra lá de arejada.

O cantar alegre despertou para o viveiro. Entretanto, a vaidosa vontade de determinado pavão em seguir cantando de galo por mais quatro anos fez tudo gorar. A bela sonoridade acabou. Na corda bamba, as bandeiras agitadas sem medo compuseram um estranho festival, que não demoraria a ser patrocinado com dinheiro farto e público, mas que mais tarde teria o custo questionado.

Antes de completar trinta anos, Orestes ressuscita no horizonte nas asas de Aécio, fênix não mitológica, mas mesoclítica, que voltar-se-á contra as ruas para assombrar os poucos que restaram do espírito da sigla, em franca decomposição. Ressurge do pó, escapa das cinzas, para jogar no chão as estrelas que já não guiavam ninguém na noite escura.

Revigorados pela energia da queda, impulsionados pela gravidade, talvez a turma de Jereissati tenha tudo para voltar ao tempo em que a responsabilidade fiscal tropeçava nos astros, distraída.

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