Assassinaram os Romanov

Não só o camarão foi assassinado no vasto repertório do conjunto de pagode contratado para abrilhantar o convescote político. O encontro foi realizado na sede da instituição penal domiciliar pertencente ao povo, dacha habitada pelo guerreiro do povo brasileiro.

O samba na casa de Zé Dirceu foi da pesada. Nem ruim da cabeça e nem doente do pé, com a tornozeleira - com pilhas recarregadas - ajustada no estágio máximo, o capitão do time de Lula soube dizer no dito cujo.

Ao som do mais legítimo samba de raiz, de essência gramsciana, música negra por sua excelência, a zelite branca se acabou em requebros à esquerda, usando a direita apenas como impulso operacional e massa de manobra.

Segundo a assessoria de imprensa do prisioneiro que balançava o esqueleto solidário ao habeas corpus de Gilmar, solto na pista, a prosaica reunião dançante teve como motivo o aniversário da companheira.

No entanto, fontes fidedignas de Havana afirmam que o evento político foi incluído no rol das cerimônias financiadas pelos trabalhadores unidos, evento oficial comemorativo dos 100 anos da revolução bolchevique, em 7 de novembro, naturalmente deslocada para o fim de semana mais próximo.

O ponto alto da solenidade cívica foi a magnífica interpretação da Internacional, hoje rebaixada à segunda divisão, junto com Cuba, Coreia do Norte e Venezuela.

De pé, as vítimas da fome e os famélicos da terra sambaram com pratos de feijão tropeiro e churrasco nas mãos, deixando os parasitas de fora da boca livre propiciada pelo supremo companheiro Boca Mole. Feijão, farofa, ovo e torresmo, bem unidos, compuseram a luta final.

Enquanto o advogado do anfitrião suava a camisa no time Prerrogativas FC na casa do camarada Chico no Recreio, os heróis não delatores, Zé e João Paulo, poeta maldito, veterano do mensalão, também conhecido como o Maiakovski de Osasco, brindavam à saúde de Vaccari e à doença de Palocci, cuja ausência foi sentida no paredão montado ao lado da churrasqueira.  

Como se sabe pelo depoimento gravado dos Originais do Samba, Lula ficou de fora da tragédia no fundo do mar, não tendo nada a ver com o naufrágio da empresa líder em águas profundas, coisa das mulheres que comandavam a Petrobras. O guiamum ficou de dar um pau nas piranhas lá fora das duzentas milhas marítimas, mas as piranhas são peixes de Rio, coisa do Cabral, que exagerou nas doses de champanhe.

Convidado a se manifestar sobre o vazamento de sua intimidade, o protagonista revelou que a vida é dura.

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