Guardanapo rosinha

Apesar das intrigas disseminadas por capangas de seus maridos, líderes incontestes das facções rivais que dominam o crime organizado no Rio de Janeiro segundo cúmplices de parte a parte infiltrados na imprensa, Rosinha e Adriana foram obrigadas a dividir um mesmo cômodo no Palais de Bienficá, a cadeia VIP que abalou Bangu.

Uma vez ultrapassado o “espaço concierge”, colocadas frente a frente por uma trapaça do destino, e não apenas pelas atuações interdependentes dos esposos trapaceiros, ambas tiveram de decidir acerca de várias questões relativas à permanência forçada e ao governo Pezão.

A despeito dos inusitados alvos físicos do misterioso bastão de beisebol, midiático consolo de Garotinho; não obstante a discriminação alimentar sofrida pelo gorducho pré-adolescente; em contraponto ao bullying exercido pela turma da pesada encabeçada por Cabral, a conferência de cúpula prosseguiu inabalável: patati, patatá.

De nada adiantaram as ondas negativas vindas do pátio e da cantina, captadas indiretamente pelas chefas naturais do elegante pedaço por meio das antenas ligadas das demais prisioneiras, detentas cujas necessidades ofuscavam suas línguas afiadas, bem como seus alarmantes níveis de beligerância potencial.   

Entretanto, perderam aquelas tolas colegas de cela que apostaram em históricos arranhões e puxões de cabelo, internas que previram chapas quentes em vez de respeito às respectivas chapinhas, que talvez deságue em chapa única contra a Lava-jato para 2018.

Democráticas e civilizadas, a ex-governadora e a patroa do exagerado ex-governador mapearam cada possível ponto de discórdia, da utilização do boi à decoração do ambiente, da mesa da Assembleia aos novos membros do tribunal de contas a pagar.

Para sacramentar a ação conjunta, foi proposta e aceita a criação de um grupo de WhatsApp que seria responsável pela organização das tarefas extra e intramuros.

Após negociações em que o nome Campos Elíseos dos Goytacazes foi rechaçado por remeter mais ao baixo curso do Paraíba do Sul do que às margens do Sena, as duas administradoras chegaram ao consenso com o nome guardanapo rosinha, em minúsculas. Isso para não dar na vista dos agentes penitenciários que concorrem deslealmente com os restaurantes credenciados por Cabral, sempre às voltas com o bom funcionamento dos bloqueadores de celulares.

Quando tudo eram flores, Rosinha saiu do grupo, mas não sem antes receber o carinho e a tornozeleira Louboutin da comadre Adriana.

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