Barata-voa

Talvez em função da recorrência com que as questões legais relativas aos transgêneros venham batendo às monocráticas portas do Supremo, em caso clássico de osmose jurídica, muitos psicanalistas especulam que Gilmar foi acometido por uma paranoia tipicamente feminina, o medo de barata.

Barata, melhor dizendo, por ser um maiúsculo inseto que, nas asas da Assembleia, entra pela janela dos ônibus para infestar todos os pontos do Rio, praga que possui a propriedade de deixar rabos presos aos bancos dos coletivos.

Já outras correntes entre os especialistas em transtornos humanos preferem saudar o polêmico ministro como legítimo campeão dos libertadores, ao afirmarem que o destemido juiz togado apenas zela pela saúde mental dos demais internos, ao não permitir a tortura psicológica no espaço privê de Bangu 8 ou no exclusivo Palais de Bienficá.

Fato é que, reiteradamente, o ilustre guardião dos direitos do cidadão VIP evita a proliferação da repugnante criatura atrás das grades que guardam as maiores celebridades do agitado mundinho político.

Camufladas entre ameixas selecionadas, quibes e biscoitos sortidos ou voando aos beliches dotados de colchões olímpicos, os ovos de Barata terminariam passeando entre as finíssimas iguarias servidas aos representantes máximos dos poderes do estado.

Portanto, rabo preso ou medo de Barata, o alvará de soltura expedido por determinação superior remete, antes de tudo, a uma questão de saúde pública.

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