Maracangalha

Ao mar a cangalha da pena, que não pesa como tal, cumprida em presídio, mansão, hospital.  

My name is Mar, Gil Mar. Não sou secreto. Ao contrário, me exponho bastante, a todo instante, mas sou agente de toda gente, da lei. Prazer, a lei.

Duplo, dúbio. Triplo, triplex. Quádruplo, infinítuplo, permitam-me o supremo neologismo para arrumar a cangalha no lombo da nova mula, e que seja o recurso do Lula.

Monocrático, tenho licença para matar indiciamentos irrefutáveis e processos cristalinos. E reformar sentenças de segunda instância, perdoem a jactância. Mato a pau, sempre a serviço de Sua... Que Sua? De Minha Majestade.   

Eu sou a mosca apetitosa na sopa de letrinhas dos partidos, a virarem substantivos ou adjetivos, democratas e patriotas, avante, idiotas, enquanto sangra o PMDB, sem P nem cabeça.

Eu sou o torniquete responsável pelo estancamento da sangria desatada. Eu sou o sonho de Renan, o desejo de Jucá e o aval de Sarney.

Como o mundo dá voltas em torno do Maranhão, eu sou a esperança de Lula.

Eu faço. Eu aconteço. Posso matar a jararaca. Posso mostrar o pau. Ou não, Caetano.

Sou um, mas valho por onze. Brinco nas onze. Valha-me, Deus.

Eu soltei Zé Dirceu, o único capaz de organizar a revolta de Porto Alegre conforme os métodos utilizados por Caymmi para ocupar Maracangalha.

Em vez de liforme branco – por que não uniforme, sílaba engolida em respeito à métrica? -, camisas vermelhas.

Em vez de chapéus de palha, bonés vermelhos, da CUT ou do MST. Se a Anália, no caso uma típica profissional das manifestações petistas, não quiser ir, o militante que deixou a estatal ou o ministério e perdeu a boca mole deve ir só.

Boca mole? Está falando com ele. Mar. Gil Mar. O resto é comigo.

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