Women in Black - o lugar da paquera

Como nos filmes exibidos aqui, vou cometer a tradução do título pelo sentido da mensagem, que poderia ser “Deu a louca na Suécia” ou “A Mulher do lado francês”. O último nada tem a ver com os ótimos “A Mulher do lado”, francês, ou a “Mulher do Tenente Francês”, britânico.

Parece que o lugar da fala, termo da moda, notoriamente encampado pelo Globo, ao dar voz exclusiva a quatro mulheres na reportagem sobre a reação francesa a eventuais exageros nas questões carimbadas a priori como assédio sexual, vai dar o que falar novamente.  

Segundo Danuza Leão, o lugar da paquera, abordado em seu comentário como a obra física, não cinematográfica, com seus personagens reais postados na calçada da fama passageira, da gostosa da vez, teria de ser preservado.

É essa, em suma, a audaciosa e contundente crítica da escritora aos excessos de Hollywood, quando ela comparou a cerimônia de premiação do Globo de Ouro a um elegante funeral.

De minha parte, sem fala permitida a não ser neste espaço, pelo menos posso concluir que nunca o termo dress code foi tão autêntico, ao determinar ou incentivar a apresentação de pretinhos nada básicos; isso segundo determinado código que se quer de ética, e não apenas profissional.

Vestidas para matar, as divas se esqueceram de dar a receita de como seria a vida por lá, coast to coast, de como separar o joio, assédio, do trigo, inofensiva cantada. Sei que os advogados americanos já não escondem sorrisos, cujos dentes brancos e afiados já vão de Los Angeles a Nova York.  

Pelo sim, pelo não, na hora do vamos ver, a Suécia, benchmarking dos States no tema, já chegou ao paroxismo na polêmica questão, desde que o primeiro-ministro, Stefan Löfven, concordou em referendar uma lei sobre consentimento sexual, em que a concordância teria de ser verbal.

Pergunto aos meus curiosos botões: o que farão os mudo(as) e surdo(as)? O que farão os estrangeiros, sobretudo os de origem latina? O que teria feito Garrincha que, em 1958, como se sabe, gerou um filho por lá, de nome Ulf?

Se, na ocasião, o gênio das pernas tortas nos ensinou a combinar com os russos, teria sabido combinar com a sueca, nessa sua língua carregada de arestas vivas?

Por aqui, onde o lugar da fala cada vez mais abole o da paquera, e impera o padrão ianque, a nora que mamãe pediu a Deus pode dar adeus a qualquer momento. Por outro lado, o processual, um mero pedido de telefone do cachorrinho haverá de ser motivo de levar o agente do assédio às barras dos tribunais, a percorrer todas as instâncias até o Supremo na condição de réu.

Sim, pois nossos antenados advogados, animados com as novas perspectivas que chegam do Norte desenvolvido, já encomendaram leis severíssimas aos legisladores da bancada BBBBB: bala, bola, bíblia, babaquice e bolchevique.

Entretanto, como a palavra não é coisa que se dê crédito por estas bandas, o consentimento pelo padrão sueco teria de ser registrado em cartório, à moda brasileira, na ampliada tradição da burocracia lusitana da firma reconhecida em três vias ou o correspondente dedão comprobatório. No papel, impresso, antes de qualquer contato.  

Portanto, com o galanteio preso na garganta, futuro crime inafiançável, o jeito será apelar para o fiu-fiu, labial. Ou, de preferência, em sinal sonoro de celular, criptografado.

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