Ainda que eu discorde, até pela multiplicidade de clubes rivais no Rio de Janeiro, já faz tempo que o Fla-Flu simboliza a disputa entre duas correntes antagônicas no país inteiro.

Sobre qualquer assunto, inédito ou recorrente, tema contemporâneo ou das cavernas, o clássico carioca desponta como metáfora da discórdia. Afinal, o tricolor Nélson Rodrigues dizia que o Fla-Flu nascera 40 minutos antes do nada. E o nada, no caso, está apto a abranger o todo.

Por este ângulo específico, o mestre, que conhecia como ninguém a vida como ela era, estava coberto de razão, pois a oposição entre paixões é automática. Por ser pré-concebido, o antagonismo precede qualquer iniciativa, boa ou má. A hostilidade independe da legitimidade ou conveniência, porquanto qualquer pensamento adverso é condenável pela própria natureza, pelas cores da equipe ou pelo fardamento da tropa inimiga.

Quis o destino que a semifinal do julgamento de Lula fosse marcada para Porto Alegre, tradicionalmente a capital da terra do bipartidarismo. Monarquistas e republicanos, separatistas e unionistas, chimangos e maragatos, brancos e colorados... Perdão. Lenços no pescoço à parte, hoje a oposição ao colorado possui mais duas cores, a azul e a preta.

Portanto, se o PT, naquele rincão muito bem arraigado entre genros confusos e arrependidas filhas pródigas, acha que pode fazer de uma simples peleia (com i no lugar da letra j) a casa da sogra, está mais perdido que peido em bombacha.

Ou pior: se o partido deseja transformar a cidade em uma praça de guerra, saiba que o pensamento é mais curto que coice de porco ou estribo de anão. Como brigar com os castelhanos era a especialidade da casa, não serão umas centenas de ônibus que vão mudar o curso da história. Até porque os partidários de Tarso e Olívio já estão entrincheirados nos pampas faz tempo.

Se os manifestantes pretendem interferir na peleia, podem tirar o zaino xucro da chuva, pois não há Fla-Flu quanto aos autos do tripéqui.

Para agradar o bagual e crescer na cancha da prenda, a OAS deixou o apê trilegal, mais enfeitado que penteadeira de china.

Já o discurso de não há provas contra o chefe, está mais esfarrapado do que poncho de gaudério.

Faltam dois dias para o Gre-Nal político, mais jurídico do que nunca. Ou vice-versa, como querem os adversários.

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