Cadê as provas?

Pois é, olhem só como é curiosa a vida. Não é que foram achar as danadas das provas contra Lula bem ali, escondidas nos autos? Altos autos!

Talvez camufladas pelo latim processual, perdidas na sintaxe rebuscada ou vítimas de hermetismo canhestro, elas estavam bem ali, expostas na montoeira de páginas, difíceis de ler, irreconhecíveis para muitos, há que se reconhecer.

Decerto, viajaram de Curitiba para Porto Alegre escondidas na bagagem profissional do juiz sustentado pela CIA. Ou as provas teriam sido diluídas na veia cultural de Moro, ele que estudou nos States?

E, vejam que ingratidão com a pobre e aguerrida militância, com todo mundo ajudando a procurar pelas ruas, em mutirão nas caravanas e com chamamento nos palanques, mas sem fácil acesso aos malditos autos, as provas se fingiam de fantasmas. Já pelo lado virtual, com todos solidários à causa perguntando por elas nos grupos de whatsapp; em fotos exibidas no Instagram; em provocações condensadas no twitter ou detalhados no Facebook, fato é que elas não apareciam aos cegos por amor incondicional ao mestre.

E não é que agora, desfeitas as malas no Sul, desembrulhada a papelada dos demônios, vimos que as provas estavam grudadas bem no alto do retrofitado prédio da cooperativa dos bancários, nos autos do triplex!

Guardadas no closet, pra cima e pra baixo no elevador privativo, nas gavetas da cozinha Kitchen’s, boiando na piscina, assando com a batata na churrasqueira, as provas saíram do armário, palavras destituídas de qualquer intenção homofóbica.

Sem viés populista, mas apelando para a cultura popular: apareceu a margarida, olê, olê, olá. Ou as margaridas, tal o esplendor de primavera tardia com que, orgulhosas, se revelaram ao mundo. O real, não bolivariano.

Entre um depoimento e outro, entre uma nota fiscal e outra, as agulhas espalhadas pelo palheiro aquele, no linguajar dos pampas, revelaram-se um inesgotável manancial a desaguar placidamente no revolto mar do Guarujá.

Agora, cá pra nós, que coisa! Que cabeça a do advogado mauricinho que não viu aquele montão de provas saltitando contra o cliente, que só sabia entrar com recurso. E tome cartilha, e tome textão, e tome tributo, tome desagravo ao condenado sem provas. Mas, no meu entender, o pior foi o mico foi pago pela turma que foi se encontrar com o perseguido no Teatro Casa Grande.

Teve um ator, coitado, mesmo careca de saber das falcatruas pelas evidências, que insistia que não havia provas. O burocrata da Globo, no soberbo papel de um senhorio prestes a enfrentar um locatário, só aceitava escritura definitiva como fiança, quiçá com a respectiva averbação no registro de imóveis.

Em suma, três a zero, placar acachapante. Um voto para cada andar do triplex.

Já que toquei no aparecimento da margarida, para ficar no terreno da música popular, onde Lula segue fazendo sucesso em outras Caravanas, titulo do show do parceiro de pelada, não é pra dizer que só Carolina não viu as provas.

Como contribuição à permanência do amigo condenado em casa, em São Bernardo, pelo menos enquanto Atibaia não vem, o genial compositor poderia pedir à plateia de suas próximas apresentações, já a partir de 25 de janeiro, uma singela ajuda. Em vez do já tradicional Olê, olê, olá, Lulá, Lulá, que canta e encanta o povo sofrido que junta as últimas economias para ver o ídolo, cantem pelo habeas corpus, com Gilmar na rima. Métrica perfeita, nem é preciso pronunciar o nome do santo na forma afrancesada, oxítona, como os vizinhos de Paris. Olê, olê, olé, olá, Gilmar, Gilmar. Eu pagaria pra ver. E ouvir.