Blocos e caravanas

Rei morto, rei posto.

Não falo do comportado Haddad ou do malandro Jaques Wagner, carioca com espírito e votos baianos, que não quer arriscar o senado garantido por uma canoa furada que lhe tiraria o foro, mais privilegiado do que nunca.

Refiro-me, sim, ao Rei Momo que, em aliança com o soberano absolutista do PT, pode salvar o seu violento discurso contra a ordem pública e levar milhões às ruas contra as falidas instituições democráticas.

Se o PT dançou na última quarta-feira, a ordem do rei é sambar até a de cinzas, inclusive a do partido queimado. E a massa de insatisfeitos com o 3 x 0 que caracteriza a fraude da eleição sem Lula, 7 x 1 na carbonizada vontade popular, sai desde agora com os grandes blocos, incluídos os de sujo.

Ou sujos, se contarmos com os tradicionais foliões do MDB, PP, PR, PTB e demais aliados de outrora, engalanados com suas gigantescas comissões de frente, cujas memoráveis fantasias logo serão analisadas pelos juízes.

Portanto, abram alas para a desobediência civil, base do discurso do condenado, hoje fantasiado de Tiradentes estilizado, mártir crucificado na forca que o tempo, senhor da razão, também há de resgatar, como o companheiro Collor, de volta à disputa presidencial.

Fato é que Lindbergh e a presidenta Gleisi, Feio e Amante na sociedade recreativa da Odebrecht, foram para o palanque como o diabo gosta, ambos dispostos a arrastar multidões para a cadeia antes do chefe. E a matar gente, muita gente, mesmo que de rir.

Homofobia com a cabeleira do Zezé, cadeia! Racismo com O teu cabelo não nega, xadrez! Maria Sapatão, cana dura para o pé de chinelo! Misoginia com o roubo da mulher do Rui, bota na tranca! Intolerância religiosa com Alalaô, mas que calor em Bangu! Xixi na rua, aos costumes no xilindró!

Enveredando pelo lado jurídico, o movimento promete dar Bola Preta para os desembargadores golpistas. Já pelo prisma da repressão, não haverá Sargento, Pimenta no spray, que vá conter os milhões de manifestantes.

Entretanto, quem não gosta muito de agitação e prefere faturar algum trocado de barriga cheia nos próximos dias, pode seguir nas caravanas promovidas por Vovô Stalin Turismo que, como os carnavais de Olinda e Salvador, não têm dia pra acabar, tantos são os indiciamentos por outras e perigosas varas. Para tanto, serão distribuídas camisinhas da CUT para os membros não ficarem sem teto.

Depois de Porto Alegre, os ônibus retomarão a turnê na Curitiba de Moro, com seus trajes de típico agente da CIA, porém estrelando duplo cenário para o crime, cometido serialmente em dias de São Nunca, padroeiro da falsidade ideológica. Na nova excursão, o triplex do Guarujá será substituído por um duplex de São Bernardo cujo pecado morava ao lado do réu protagonista. E, completando a montagem farsesca, um foco especial será voltado para a sede do Instituto Tiradentes Crucificado, com financiamento da Odebrecht no lugar da OAS.

Finalmente, noves fora o Nove Dedos, sem passaporte até para rodar por Alagoas, confesso estar morrendo de pena do Renan, coitado, que, por causa do filho, com o companheiro de caravana enforcado, não vai poder brincar.

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