Prision Break - a pauta suprema


Como atento observador da cena política brasileira, pautada pela Lava-jato, operação que comparo a uma série que ruma para a quinta temporada de sucesso, sem a necessidade de assinatura de Now ou Netflix, arrisco aqui algumas fichas nos próximos capítulos. Os ingênuos que parem logo na próxima vírgula, ou não passem deste parágrafo, pois beira o spoiler o que escreverei daqui por diante.

Lula não será preso. Ou melhor, quando for, pra tirar foto e posar de mártir, a vítima da alegada fraude contra a democracia não ficará muitos dias na prisão.

Talvez chegue efetivamente à cadeia, lugar que cavou incansavelmente para entrar, na contramão dos túneis não superfaturados, mas o fará apenas por volta da décima sétima temporada.

Dessa forma, desmoralizado e sem qualquer popularidade, repetiria o desenlace jurídico do neoaliado Maluf, finalmente encarcerado depois do trânsito em julgado, sempre engarrafado.

Como em uma fatalidade acontecida com um personagem importante, morto na vida real como Celso Daniel ou Teori, acidentalmente ou não, os roteiros dos episódios a serem exibidos em fins de fevereiro e março devem ser reescritos. Sim, pois de forma inapelável, as tramas terão de ser improvisadas após o memorável julgamento de Porto Alegre.

Isso porque a unanimidade entre os desembargadores do TFR-4 jogou por terra os esperados embargos infringentes, constantes do script desde as duas absolvições do companheiro da mochila, versão petista do homem da mala. Se a fé dos apóstolos do mestre voltara com o guerreiro Vaccari, o Moch de Barusco, o agente dos pixulecos cujo bico não abre, a esperança dos beatos e demais fiéis morreu afogada em uma praia do Guaíba, perto de onde Dilma aprendeu a estocar minuanos para economizar energia.

Por outro lado, quem vive a natural expectativa da prisão do meliante imediatamente após a apreciação dos embargos declaratórios, os únicos possíveis em virtude do placar de 3 x 0 contra o condenado, pode tirar o cavalo encilhado da tormenta de verão. Pois é claro que há sempre um efeito suspensivo escondido na manga da toga.

No mesmo diapasão libertador, se a presidente do STF não se mostrava disposta a reapresentar a pauta da prisão após o julgamento em segunda instância até o final de seu mandato, em setembro próximo, quando o companheiro Toffolli assumiria o posto e a função de soltar a companheirada na tranca, tudo indica que o plenário logo será chamado a apreciar a mudança de posição de Gilmar. E, para consolidar a redentora maioria, também para incorporar o conveniente voto do novato Moraes, conhecido quadro tucano que, corporativista, votará contra a opressiva gaiola.

Uma vez quebrada a regra da prisão que alimentou as delações premiadas, a sangria de Renan, Sarney e Jucá poderá ser, enfim, estancada.

Voltando à série de maior sucesso da tevê aberta, que bateu a audiência do Mensalão com sobras, aqui vai uma boa notícia. Sem Lei Rouanet ou qualquer controle da mídia, posso garantir que um velho pleito da produção audiovisual contemporânea foi atingido.

Apesar da heroica resistência de Cabral que, algemado, também teve de ceder à nova onda e deixar o Palácio de Benfica, saímos definitivamente do eixo Rio – São Paulo.

Ainda que Atibaia esteja no caminho, Curitiba, Porto Alegre e Brasília concentrarão os recursos a serem distribuídos quando da queda das nossas bastilhas, a simbólica Papuda à frente. Não os recursos financeiros, naturalmente, pois os escritórios não mudarão suas sedes.



#Supremo #STF