Suicídio coletivo


Nas asas do politicamente incorreto Pica-pau, hoje provavelmente proibido para menores, o Barbeiro de Sevilha atingiu a consagração entre as crianças hoje sessentonas, com o seu espetacular Fígaro.

Devo ao Woody Woodpecker (Udiúdi) o meu interesse por ópera, assim como ao Tom & Jerry a minha preferência pela música clássica.

E daí? – perguntariam os meus leitores mais impacientes ou afoitos. O que os velhos desenhos animados têm a ver com o quadro político atual, tema dos meus artigos?

Pois a abertura de Cármen, relativa aos trabalhos do poder judiciário, conduzida ontem no Supremo, foi digna da homônima de Georges Bizet, uma das mais populares no Brasil por causa da sua vibrante sequência.

A suíte inicial anuncia a ária do Toreador, esta tão melodiosa que encantaria o touro mais atiçado, o miúra mais bravio. Tanto é verdade o comentário acerca do fraseado que, nos anos sessenta, alguns compassos da composição tornaram-se paródia de um comercial da Esso. Pelo minilibreto, cantado em 30 segundos, era a única distribuidora de petróleo a dar ao seu carro o máximo.

Aos mais jovens, a BR, subsidiária da Petrobras, só seria aberta muito tempo depois. Isso para ser, mais de trinta anos mais tarde, entregue ao PTB e ao Collor na partilha partidária que caracterizou o Petrolão. Viram o animado desenho da corrupção, armado já no primeiro ato?

Muito bem, executada a introdução, deu gosto ouvir as palavras de Cármen Lúcia. Sobretudo para ver seus convidados Temer, Maia e Eunício acuados, os três com cara de paisagem, olhando para o teto, tamborilando dedos e torcendo por um breve final da sessão.

Pelo discurso, em que a ministra adverte aqueles que querem desacatar ou agredir a Justiça, tachando esse comportamento como inadmissível, a postura de franca desobediência civil anunciada pelo PT mostra-se perigosa não para o País, mas apenas para os seus próprios quadros.

A começar pela onipresença de Lula, da ridícula insubordinação pública da fantoche Gleisi - fantocha? – ao bélico tom de palanque de Lindblearghhh – vômito do autor -, da Papuda à urna eletrônica, tudo leva a crer que o PT prepara um espetacular gran finale para outubro.

Aposto em um suicídio coletivo de seus parlamentares, de fazer inveja ao pastor Jim Jones, reverendo que fundou o Templo dos Povos. Trata-se, aliás, de um nome bastante sugestivo para a seita dos beatos que possuem fé inquebrantável no guia.

Entretanto, ao contrário do trágico acontecimento na Guiana, pela insistência com que Lula exige fidelidade aos seus propósitos, tudo leva a crer que teremos um happy end no massacre imposto pela messiânica criatura, ato final de uma hilariante ópera bufa, digna do característico escárnio do Pica-pau. Hehehehehe, hehehehehe, he-he-he-he-he.

#Carmen #PT #STF #Temer