Irregistrável

O título é um supremo neologismo.

Afinal, a língua não é imexível, palavra já incorporada aos aurélios da vida, impressos ou eletrônicos, sinônimo de dicionário, mesmo que o termo coloquial ainda não conste dos pais dos burros, por modéstia da linhagem ou temor da concorrência como a de Houaiss, cujo nome não ajuda.

Irregistrável teve origem eleitoral, porém há de servir para outros fins, não só o da linha do Lula, cuja ficha, suja, ainda não caiu.

A intenção negativa, de todo positiva, mostrou-se captável nas entrelinhas do discurso de posse de quem caberia registrar o condenado. E não validar, porquanto o verbo pressuporia a possibilidade da operação anterior.

Voltando aos pais dos burros e de outros mamíferos, mexer com a língua, ou com o idioma, melhor dizendo, foi o que nos ensinou Magri, aquele ministro do trabalho do Collor que alardeava a humanidade de suas filhas, cachorras no bom sentido. Não no ótimo, diga-se de passagem, sobretudo às vésperas de um carnaval dominado pela linguagem do funk.

Tentando provar pelo inverso, desumanidade seria outra coisa. É, por exemplo, o que fazem com a distinta senhora à deriva na lancha, cercada de empresários por todos os lados, proibida de ser ministra do trabalho por detalhes trabalhistas, ela mesma um quadro do partido homônimo.

Pois Fux – forma reduzida, apócope heterodoxa de Fiat Lux - deu à luz a desculpa de Temer ao pai da criança: a irregistrabilidade – este neologismo abstrato é meu, derivado natural do cunhado pelo atual presidente do TSE.

Para tanto, bastaria embarcar na próxima Medida Provisória uma emenda que vedasse o registro de posse no ministério em questão para aqueles cidadãos e cidadãs (para não haver dúvidas de gênero) que não estivessem livres de ações na justiça respectiva, no caso a pasta do Trabalho.

Assim, enquanto vigorasse a MP, Cristiane poderia ser cristianizada por outro membro do PTB.

Mas este já é um velho neologismo, senão arcaico, dos tempos do PTB de Getúlio e do PSD de Cristiano Machado, candidato registrado e derrotado, nada a ver com o atual do Kassab, este, em termos programáticos, ideologicamente irregistrável.

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