O futuro: adeus, Pertence

10/02/2018

 

Enquanto todos vinham distraídos com as benesses distribuídas no supremo carnaval de liberdade pós-recesso, em particular o último habeas corpus concedido por Gilmar, ministro sem caráter protelatório, decisão monocrática que pôs na rua o médico residente do Palácio de Benfica, o condenado ficha suja preparou mais uma chicana de cunho procrastinatório.

E como é do seu feitio, apelou para os amigos, especialidade da casa desde os primeiros passos na política. Casa de um amigo, evidentemente.

Cansado de perder de goleada com os recursos do seu defensor mauricinho, enfatiotado garoto que não entra pra valer no mérito, só entende de protocolo, prescrição e carimbo, porém legítimo genro do primeiro amigo a abrigá-lo na qualidade de um visionário sem teto, o perseguido pela justiça apelou para outro velho amigo, provecta figura cujos negócios à parte podem render ou não um belo aparte com vistas à paralisação do processo de encarceramento.

O novo personagem vem a ser, na verdade, o velho guru da turma togada que, inspirada no megaprodutor de insumos aos alvarás de soltura expedidos pelas varas de todo país, há de manter o líder petista fora das grades até o juízo final ou trânsito em julgado, o que ocorrer mais cedo.

O criminalista sênior, segundo línguas ferinas o defensor de Matusalém quando este se viu enredado em típicas contravenções juvenis, remota época em que o patriarca bíblico, então dimenor, teria praticado crimes já prescritos na ocasião, frequentou os dois lados do balcão da derradeira instância.

O ministro aposentado por idade no esplendor da sabedoria forense há de retornar como o decano dos decanos para assombrar o tucano dos tucanos, emplumada e grisalha raposa que ora embarca em uma lata velha, disposto a abraçar a juventude para viver uma loucura, loucura, loucura.

Entretanto, na hipótese de o foro celestial substituir o de São Paulo no coração do rebanho pastoreado pelo mártir, ao som de intimidadoras trombetas e clarins coercitivos, este será o momento sublime em que, segundo os mais fiéis seguidores da seita, o Condenado julgará os seus semelhantes pelos golpes sucessivos, suprema heresia. E o fará em Sacro Colegiado, sem direito a recurso por toda a eternidade punitiva, pautada em dosimetria infernal.

Para tanto, o Amigo dos Amigos contará com seus Colegas de santidade, todos do primeiro escalão: Pai, Filho e Espírito Santo. O último depende da inviolabilidade da divisa com o Rio de Janeiro, se a linha se mantiver inabalada diante das iniquidades perpetradas ao sul da abençoada unidade da federação.

Pela outra face oferecida, noves fora o credo nos Nove Dedos, desde que esgotadas as chances de revolta popular, movimento limitado à histriônica histeria de Gleisi e Lindblearghhh – vômito do autor -, uma vez calada sem mordaça a Vox Populi, podemos aguardar a resposta com a rouca Vox Dei: - a que expectativa de futuro o Sepúlveda pertence? Que venham as calendas.

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