FHC e HUCK, juntos e misturados

O H é mudo no FHUCK, mas, a meu ver, está na cara o que deseja FHC na manifesta aproximação com Huck. Um nariz tão grande como o seu pronunciado bico, que costuma meter, sobretudo, quando o assunto passa por sedução e conquista.

Calma, pois ambos são espadas. E também a romântica metáfora, capa e espada, que escolhi para fazer clarear a árdua compreensão do tema, capaz de intrigar gente do ramo, a começar pelo atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes, careca de desconfiar das intenções do cortejador mor.

Vejo tal cena da atual vida política como um teatro. Ou cinema, como queiram, já que Cyrano de Bergerac foi levado às telas por Gérad Depardieu no papel principal. Não desistam da leitura agora, pois eu não tardarei a explicar o cerne do belo romance de Edmond Rostand.

Aliás, belo era o jovem que não sabia o que falar à amada, no caso a volúvel nação, perdida entre os extremos de uma paixão bandida e os perigos derivados de um galanteio fácil, baseado na segurança com que toda desprotegida sonha.

Cyrano pareceria mais com um Ciro mais gordo e tirano, é bem verdade, mas não fui buscar a semelhança no physique du rôle ou nos fáceis fonemas para infames trocadilhos, mas sim no corpo invisível do personagem, cujo narigão alegórico devia ser evitado para não assustar o objeto de desejo de ambos, FHC e Huck. Garimpei, sim, a suavidade das palavras, importantes para atingir o coração das pessoas desiludidas com a vida secreta do vilão, que fora agraciado, digamos, com um triplex em Cap Ferrat e um sítio na região de Antibes. E, do outro da batalha pelos favores da frívola mocinha, as viúvas de Napoleão. E como não vai no trágico estado civil qualquer intenção homofóbica, melhor viúvxs de Bonaparte.   

Pois o incrível tucano, sábio ancião da corte emplumada, conhecida pelas naturais perucas brancas, precisa confundir um pouco mais o conturbado caldeirão eleitoral para dar fôlego a um Huck ainda verde, mas não a ponto de cair nos braços de Marina, a outra.

O mentor não quer ver Huck dar carona para qualquer vigarista em sua lata velha, pois imagem é tudo. E muito menos deixar transbordar seu caldeirão para as hostes de um partido qualquer. Pudesse Cyrano aparecer para seduzir a indecisa donzela, ele que já duelara duas vezes com o bicho papão, tudo seria mais fácil, porém a idade conspira contra o herói que soube derrotar o maior inimigo do povo.

Assim, fantasiado de Velho Guerreiro, telefone privatizado no peito e buzina na mão, ele veio para confundir.

Vingando-se de Alckmin, que pateticamente traiu o seu discurso liberal, o duplex da política nacional, híbrido Macron formado da mistura da Rede Globo com a Sorbonne, já tem um sugestivo bordão: FHUCK, you, extremistas, à droite et à gauche.

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