Os Filhos da Pauta

Em maiúsculas, por favor, pois o título remete a um conjunto bastante conhecido, mas não esse que o leitor mais experiente pensou ter lido antes de limpar e/ou ajeitar os óculos para perto.

Antes de se tornar, segundo o Google, o nome oficial de uma banda de rock em Coimbra, Os Filhos da Pauta já era sucesso no Brasil d’antanho. Nos tempos de outrora, era aquele nome até engraçado, porém bastante batido, sempre sugerido aos jovens instrumentistas e eventuais cantores por um velho descobridor de pólvoras.

Com a relativa vantagem de não carregar um epíteto explicativo como o concorrente por excesso de uso, Os Paralelos do Ritmo – aqueles que nunca se encontram -, risada obrigatória de ambas as partes, em nome da geométrica explicação e da boa educação, os filhos da pauta, minúsculos, hoje somos todos nós.

Sob a batuta da presidente do Supremo, por sinal, visitada ontem pelas senadoras do PT, sonoro sinal de descompasso, os filhos da pauta sugerida pela defesa de Lula, que voltaria ao tema da prisão após a confirmação da pena por colegiado em segunda instância, aguardam o momento em que a partitura da mais batida peça do repertório jurídico será executada, uma vez mudada a afinação da Corte para o confortável diapasão da impunidade, infinita reserva de mercado dos criminalistas medalhões.

Que a ministra Cármen e os colegas contrários, que desejam passar e engomar o colarinho branco de Kakay & Cia, sigam paralelos no ritmo de julgamentos do plenário. A peça de resistência seria uma grande novidade, a ser apreciada pelos aflitos filhos da pauta, e não por aqueles a que o título remete a princípio, visto de relance, defensores da impunidade pela prescrição, seguidores do eterno compasso de espera; remunerado, privilégio de poucos.

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