Preso político - Fala, Dilma!


Há muito tempo que o termo preso político perdeu o sentido por aqui. Porém, se eu tivesse de escolher um momento, um instante a partir do qual a ordem dos fatores passou a não alterar o produto da expressão na cadeia, esse instante seria o acintoso braço levantado de André Vargas no início da legislatura de 2014. O figurão da Câmara resolveu brilhar para os correligionários ao lado de um contrariado Joaquim Barbosa, dito o algoz do PT, relator do Mensalão, na oportunidade o presidente do Supremo. Contudo lembrem-se do azar do deputado engraçadinho: a cerimônia no Congresso ocorreu um mês e meio antes do início da Operação Lava-jato.

Inspirado pelos colegas de partido Dirceu e Genoino que, pouco tempo antes, ao serem condenados pelo STF no escândalo investigado pela Ação Penal 470, imitaram o gesto característico dos Panteras Negras, militantes que lutavam pelos direitos civis nos States na década de 1960, o então vice-presidente da Câmara procurou ser o mais contundente possível, estabelecendo ali um claro – e idiota - desafio ao poder judiciário.

Entretanto, ao ser flagrado na 11ª fase da mencionada Operação, o pantera negra do Paraná, depois de cassado por seus colegas de Câmara, não demorou a revelar o seu lado tigresa pálida, exatamente no ponto em que o parlamentar destituído do mandato e, consequentemente, do foro privilegiado, se viu desmoralizado pela constatação pública de que, para o PT, que tão bem representava, o mal é bom e o bem cruel.

Perdeu o guloso predador de estatais e do Erário, já não uma excelência que jamais havia sido preso político, como efetivamente foram Genoino e Dirceu nos tempos da ditadura militar. Perdeu, playboy.

Pois justo agora, depois de inúmeros exemplos de congressistas de todos os matizes entre bois e beliches, a despeito do incansável libertador Gilmar, a presidenta Gleisi volta a trazer o assunto às cartilhas petistas.

A provável iminente prisão – por poucos dias, naturalmente - do protagonista da pragmática metamorfose do bem forjado para o mal descoberto antecipa os discursos à militância da dominada academia, a ser reunida na Bahia companheira na próxima semana para o Fórum Mundial de Salvador, cuja estrela há de ser justamente o Salvador.

O período de férias de um dos desembargadores do 3 x 0 em segunda instância no Sul veio a atrapalhar aquela que seria a apoteose da perseguição ao Bessias de secundaristas e universitários, justamente a prisão no decorrer do encontro do mundo bolivariano, a ser representado por Mujica e Cristina. Maduro não é besta de, no grave momento que sua ditadura enfrenta, deixar o passarinho Chávez cantando para outro aventureiro nos jardins do Palácio de Miraflores.

De minha parte, confesso que estou doido para ouvir um extenso improviso de Dilma sobre a nova condição de Lula na terra de Caetano. Já antevejo a cena hilária, inegavelmente uma coisa engraçada que o PT nos legou. Até porque o principal interessado do assunto, em visita a Cuba nos tempos em que era presidente, por coincidência em visita ao Porto de Mariel, construído pela amiga Odebrecht, ora amiga da onça, já se pronunciou sobre o tema, tendo como exemplo um genuíno preso político, morto em greve de fome.

Que o prolixo e interminável Fidel encarne na mulher sapiens. Fala tudo, Dilma! Denuncia a violência ao mundo, mas sem teleprompter. Juro que estarei preso politicamente ao conteúdo e à forma do discurso, que haverá de passar à posteridade, como passou a mandioca, a mosquita e o estoque de ventos.

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