Da tunga à toga

Como todo slogan a ser lançado, a mensagem que traduz e encabeça o artigo foi submetida a uma expedita pesquisa qualitativa, tendo recebido o aval do distinto público que trabalhou na Petrobras nos tempos em que operava como uma legítima empresa integrada de petróleo, do poço ao posto.

Porém, desde as passagens de Dilma, do Italiano e do pós-Itália pelo Conselho de Administração da Companhia, a coisa desandou. E, sobretudo, por causa dos estoques reguladores dos ventos que agigantaram a marolinha que nos pegaria pela proa, já adernada pela oscilação dos preços internacionais do petróleo e derivados. Com o tal do colchão de amortecimento de preços inflado, artifício para o mascaramento dos índices de inflação, a Petrobras perdia na subida e na descida das cotações.

Se o desafio era a nossa energia, o desafio agora é tentar arrumar alguma merreca, um troco do que foi roubado de volta. Roubado da empresa e de seu aparelhado fundo de pensão, a Petros, assalto que hoje leva os empregados aposentados para o fundo do poço, pensionistas obrigados a arcarem com o baita prejuízo promovido pelos dirigentes nomeados pelo PT e partidos comparsas da pilhagem governamental.

Onde está a responsabilidade da controladora do descontrole, da voz de comando sobre a mantenedora nisso tudo?

Cessado o estelionato eleitoral, crime posteriormente perdoado pelo TSE comandado por Gilmar, uma vez tirada a gangue da direção, seus perversos efeitos ainda perduram. Renegociadas as dívidas com os principais credores, fechado acordo com a ágil justiça americana, a conta chega, mais salgada que espessa camada que capeia o pré-sal. Aqui o buraco é mais embaixo, mais ao sul.

Com a mão armada de relatórios alarmantes, calcados em gráficos de todos os formatos, os novos gestores começaram a nos cobrar pela tunga generalizada perpetrada pelos governos Lula e Dilma. Por conta das roubalheiras, passamos a ganhar menos um quinto do que recebíamos, o verdadeiro quinto dos infernos. É como se tivéssemos passado a pagar mais um imposto de renda. Só que, no caso, o leão é rato. Ratazanas, melhor dizendo.

Tudo indica que o ladrão-mor, condenado em duas instâncias, será perdoado. Olê, olé, olé, olá, Gilmar, Gilmar – canta a companheirada em surdina.

No máximo daqui a 17 anos, o mártir encarará uma cadeia à moda Maluf. Serão 17 anos com bancas de advogados medalhões revezando-se nos balcões protocolares do Supremo, disputando a primazia entre os demais corruptos que não tardarão a deixar Curitiba, Papuda e Benfica pra trás.

Já os pensionistas da Petros, esses sofrerão pena de 18 anos de compulsórios assaltos mensais, condenados pelo investimento bilionário na Sete Brasil, pela compra de Pasadena, pela roubalheira no Comperj, pelos aditivos da refinaria do Chávez, Abreu e Lima, pelas mesadas da Transpetro, pelas Premium do Ceará e do Maranhão, pedras fundamentais de ouro puro e pelo subsídio ao preço da gasolina e do diesel.

Enquanto isso, os garantistas da impunidade do STF, bem como os defensores dos colarinhos brancos de Lula, Dilma, Renan, Sarney, Cunha, Cabral, Dirceu, Jucá, Adriana, Picciani e enorme elenco estancam a sangria. Habilitam-se, portanto, a levar a parte do leão do multibilionário assalto aos cofres da Petrobras, limpinhos, em reais, honorários devidamente declarados ao rei dos animais.

Assim, lembrando os tempos da antecipada Páscoa Suprema, o fruto da colheita legal seguirá sem espinhos pela nossa via crucis, da tunga à toga.

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