O Mecanismo reage

O sonhado Ministério de Controle da Mídia não sonegaria informação aos fiéis. Dessa forma, penso que a mensagem poderia conter a apresentação de um produto estatal ou merchandising: Lubraxil 13, o lubrificante natural de O Mecanismo, informa: o presente artigo contém inverdades e/ou fake news.

Dilma – ou seria a grosseira Janete, a personagem de O mecanismo? - rodou a baiana, acusando o diretor José Padilha de propagar fake news. Ao contrário do que possa parecer, a baiana em questão não é a Mônica Moura, que já aparece nos primeiros capítulos da série da Netflix recebendo dinheiro sujo com outro nome. Terrível suspense, só as futuras temporadas dirão se a moça conservará na produção o carinhoso apelido de Xepa, mulher do marqueteiro Santana, o Feira das planilhas da Odebrecht.

Já o famoso Setor de Operações Estruturadas, departamento de propinas da construtora que só ficou com o Brecht, e faz Ode a outro sobrenome qualquer, possui o mesmo título no organograma ficcional.

Se o Supremo colaborou bastante para a consagração do lançamento, a fala da presidenta golpeada parece ter sido encomendada pela própria Netflix, que passou a sofrer boicote da zelite vermelha e queimada de PSol.

No meio artístico, José de Abreu abriu fogo contra a série, fato que deve ter provocado um absurdo incremento das assinaturas do serviço de streaming.

Isso porque a cada cancelamento vem associado a uma abertura, tudo indicando que laranjas estão sendo convocados para salvar a diversão da galera.

Lula, convidado a cancelar a sua assinatura, não pode fazê-lo, desde que a assinatura não é dele, mas de um amigo. Ao saber que a conta ficava em Los Gatos, e não na Suíça ou nas Ilhas Cayman, a assessoria de imprensa do Instituto homônimo, conveniado com os três demais poderes, condenou a pirataria com os dólares na tevê a cabo, coisa típica da milícia.

Fato é que o estrondoso sucesso da série já agita o Supremo, que quer indicar os atores e atrizes que farão seus papéis. Depois de pedir vistas ao partido, Toffoli decidiu que José de Abreu pode gravar para Padilha mesmo sem ter a assinatura do canal de streaming. Interpretará Lewandowski, pois já vinha fazendo laboratório sobre a autoridade desde o Mensalão. Barroso quer um galã cinquentão e, dependendo do esquema de gravação, até se dispõe a acumular o trabalho.

Já Gilmar, o protagonista de nove entre dez embates togados, o monocrático deseja construir seu próprio personagem, cujas pitadas de psicopatia devem desafiar Jack Nicholson. Para tanto, o iluminado boca-mole já mandou seus capangas de Mato Grosso acertarem tudo com o galã José Mayer, que promete voltar a conquistar os votos femininos depois da condenação de assédio na segunda instância da Rede Globo, no camarim do fim do corredor.

Em evento de repúdio à produção, solenidade presidida por Gleisi, que busca fazer uma omelete com os ovos quebrados na campanha do irregistrável candidato em caravana eleitoral clandestina, a presidenta atacada pelo gópi voltou a discursar no seu melhor estilo:

A Netflix divulga fake news, é mentirosa, bota a sangria do golpista Jucá na boca do presidente Lula, que prefere uma caninha. Ele nunca soube de nada na Petrobrasil e está sendo recebido com ovo pelos fascistas. Mas o ovo, companheiras e companheiros, o ovo tem que ir pra panela da família, não pra política dos golpistas. O ovo não é golpista. É um bicho sagrado pra mãe... Quer dizer, é bicho se vira pinto, depois frango, galo já é mais raro. Mas não na minha terra. E na minha terra também tem a raposa, que é o Cruzeiro. Mas o ovo, minhas amigas e meus amigos, o ovo é um alimento pro pai, pro filho e até pro cachorro. Quer dizer, pra filha também. Só que às vezes a garota está de dieta, só pode cozido ou é alérgica à gema. Mas é sagrado até se o cachorro só come ração. Por que o cachorro não sabe de nada de onde vem o ovo, só vai atrás, que nem a bola, que nem o Lula, que nunca soube de nada irregular na Petrobras, e que só ia atrás de bola.

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