Terrível, cruel, inadmissível

28/03/2018

De fato, assistimos - já não tão atônitos, já nem tão cordiais - a um grande atentado contra a Democracia.

Permitir que um Senador cassado por prevaricação em flagrante concorra a qualquer cargo eletivo porque as provas foram colhidas sem a autorização de um juiz especializado em crimes de grandes criminosos, faz na Democracia o mesmo estrago que uma decisão do TSE que não cassa uma chapa comprovadamente fora da legalidade, porque o país não pode ter instabilidade política. Ou do Senado que decreta o Impeachment, mas não cassa os direitos políticos de quem cometeu o crime. Do Senador que é pego em flagrante mas precisa ser julgado pelos seus pares…

Não estivessem o ex Senador, agora candidato, e o bicheiro ligados umbilicalmente à Delta Engenharia, do Sr. Cavendish, da Ordem do Guardanapo do Grão Duque Cabral et caterva, sabidamente uma quadrilha especializada no assalto ao erário.

É repudiável, senhores presidenciáveis, que uma Câmara recuse a denúncia de crime contra o Sr. Presidente da República, mesmo que ele tenha sido gravado de forma esdrúxula no porão do Palácio, dizendo atrocidades a um investigado da Justiça. E que seu assessor tenha sido visto saltitando com 500 mil numa mala, depois encontrada no guarda-roupas de sua mãe…

É ameaça gravíssima e precisa ser combatida, senhores Juízes que se intitulam Ministros, que bandidos da pior espécie sejam postos em liberdade, apenas porque, data vênia, seus caríssimos advogados têm acesso aos corredores e celulares da Corte.

Inadmissível que Adriana Ancelmo esteja em casa. Que Jorge Picciani tenha ido pra casa. Que Paulo Maluf não possa refletir sobre a falta que dinheiro que desviou fez para a saúde de milhões de paulistas e paulistanos, desfrutando de um tratamento oferecido pelo Estado que ele saqueou. Que a quadrilha especializada em transportes do Rio de Janeiro, que até hoje não cumpriu (mais de dois anos depois) a ordem judicial de climatizar a frota numa das cidades mais quentes do país, esteja desfrutando de seu inalienável direito de subverter o direito com chicanas jurídicas e patrocínios vergonhosos às causas espúrias.

Acho mesmo que estamos diante de uma situação limítrofe: essa plebe que se insurge contra o escárnio de um salvo conduto arrancado na malandragem, ao apagar das luzes na pressa do vôo, como fariam colegiais no pátio de uma escola, urdido nas filigranas do Processo, e que faz de palhaço cada brasileiro que perdeu sua carteira de habilitação porque falou no celular ou fugiu de um suspeito no sinal de trânsito.

Aliás, faz de palhaço também cada pai, cada mãe, cada contribuinte que provê com sangue e suor o sustento da máquina do estado, onde os eleitos, os burocratas e os acólitos mamam depudoradamente.

É preciso estancar essa sangria. Este sentimento de que a Justiça está a serviço dos poderosos; estes que não se cansam de roubar o Estado; este que não devolve em serviços o que retira da população.

É inconcebível morar num país onde a Justiça é invisível, onde a percepção geral é de que o Poder Legislativo é inimputável; que as Leis são feitas com endereço certo.

É terrível, mas é bom que se acostumem.

O fel que tanta impunidade, tanta iniquidade, tanto compadrio instilam diariamente, já nos mostrou que não basta o voto para lavar a alma do povo. É preciso ver o sangue escorrendo nas ruas para lavar tanta calhordice, restabelecer a democracia e, finalmente, instaurar uma República. 

Não tragam seus sorrisos de escárnio, seus discursos togados e boquirrotos, suas falácias que nos tratam a todos como idiotas e, sobretudo, não nos peçam o voto e o respeito à sua versão de Democracia.

A menos que estejam dispostos a ser recebidos com ovos, paus, pedras etc.

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