Quatro ou cinco Barbosas

Sem contar com a ruiva beldade televisiva, celebridade instantânea que talvez não resista ao tempo ou à popularização da Netflix, quatro ou cinco Barbosas hão de marcar a vida do brasileiro ainda por muito tempo.

Se três já estão mortos faz tempo, ainda que presentes em citações ou marcantes lembranças em vídeo, um deles segue vivo, muito vivo, escondido na moita dos consensos janistas, mas já com a língua de fora, por sinal, língua inglesa: – Who cares?

What porra is that? - responderiam os potenciais eleitores, e não no sentido da não compreensão do idioma shakespeariano.  

Pois justamente ele, o redivivo Joaquim, reúne algumas características dos outros três já falecidos. Em relação a Ruy, é do meio jurídico, justamente aquele que reivindicou ao superior tribunal da época o direito de errar por último. Não à toa o Águia de Haia é o patrono do Senado, hoje bem mais próximo dos abutres. Joaquim opõe-se ao jurista baiano, no entanto, pelo pantagruélico apetite com que Ruy Barbosa dispôs-se a se tornar presidente da república, cargo a que postulou por quatro vezes, mostrando quanto o senador se importava com a assunção do cargo máximo da república, ainda que velha, sem Brasília na hora do batente ou cooptações a rodo.

Joaquim é negro, a exemplo do goleiro da Copa de 1950, aquele que foi obrigado a lidar com a culpa perpétua por causa de um defensável gol do Uruguai. Até que o célebre 7 a 1 em solo pátrio fez do culpado vítima.

Por outro lado, o da acusação por dolo, o ministro escolhido por Lula também carrega inequívocas virtudes de Abelardo Chacrinha Barbosa. Na condição de relator do Mensalão, toga no lugar da fantasia de telefone, buzina na voz, o velho guerreiro do plenário adotou a postura de comunicador que acabaria por trumbicar o revisor rival Lewandowski, sempre fiel ao PT.

Ao término, ao acabar, como exige o regimento interno da Hora da Buzina, Sua Excelência venceu as midiáticas batalhas que foram travadas durante o julgamento do processo que abalou o PT, partido então em busca da bolivariana eternização no poder.

Em paralelo, mesmo sofrendo de terríveis dores na coluna que, não raro, o mantinham de pé, ele, como um possesso tribuno, soube investir contra o hoje poliexecrado Gilmar e “seus capangas do Mato Grosso”. Se o Boca Mole é atualmente o inimigo número 1 de todos os sem mandato federal ou ministério, exceção de petistas e comandados, Joaquim tem a seu favor a gravação em que desafia o baluarte dos criminalistas medalhões, reduzindo a pó o expoente da dominada segunda turma do supremo.

Mas como o eventual candidato lidará com o contraditório fora do protegido ambiente supremo? Como o postulante reagirá às calúnias e às difamações gratuitas, como as que Marina, por exemplo, sofreu em 2014, ao ousar liderar as pesquisas depois da morte de Eduardo Campos? Rodará a baiana ou o telefone, para chamar a Terezinha? Uhuuu. Vaias ou acenos?

Se Joaquim vai para o trono ou não vai, primeiro ele terá de se habilitar no programa como um calouro com vontade de ganhar. Sem muito tempo de tevê, mas contando com TV Pirata de volta ao Canal Viva, eu, se fosse o marqueteiro, trataria de chamar o meu Barbosa preferido, vivido por Ney Latorraca. Bem melhor que o bordão “Meu nome é Enéas”, bastaria ao ator global acordar, babar um pouco e sugerir: Barbosa...

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