Pica das galáxias

Confesso que incorporei poucas expressões da geração dos meus filhos ao meu linguajar cotidiano. Não me sinto bem falando caô ou demorô, porém devo admitir que o termo “o(a) pica das galáxias” veio para ficar entre os terrestres destas idosas bandas.

Trata-se de excelente gíria composta oriunda da ficção científica e, como tal, deve ser precedida do artigo definido masculino ou feminino. Tudo para se evitar comparações fálicas, abolir o machista complexo de castração e promover a inclusão de gênero.

Pra começar, o(a) pica é bem mais forte e melhor do que o vegano ó do bobó. Suplanta o fodão ou fodona por ir além do Bairro Peixoto, satélite que orbita a nebulosa Copacabana. E humilha o minimalista “o cara”, simples, absoluto e intransitivo, sem complemento que prescindiria até de um Obama ainda cheio de gás interestelar, a anos-luz de Trump, isso por encampar mesmo os mais intrépidos seres alienígenas sexuados.

De sorte que ontem, ao receber a triste notícia que os fascistas da Comissão de Direitos Humanos da ONU recusaram a condenação do Brasil pela perseguição política a Lula, ocorreu-me a ideia de recorrer aos áliens. Há alguns bonzinhos que testemunhei no filme Men in Black, ficção da envergadura de O Processo, este um onírico documentário baseado em fatos reais.

Já em assunto paralelo, cujo encontro se dá no infinito, um nada para tal pica, tomo conhecimento de que produtores, artistas, religiosos e políticos neogolpistas tramam o abandono do candidato sobrenatural à eleição presidencial em favor do traidor Boulos.

Se o movimento tem como causa o mero detalhe da ficha limpa, por que a dissidência não se dá em prol da vítima retratada no filme? Mas não, e tal conspiração já justificaria o filme O Processo 2, a Micção, onde Dilma receberia uma mijada dos militantes bandeados para o PSOL. Como a única substituta escolhida sem pressões por Lula, Dilma, e não Haddad e muito menos Boulos, seria a candidata natural do golpeado rebanho perdido no tempo e no espaço.

Pois justamente quando o PT já preparava o lançamento espacial da candidatura do seu pica das galáxias, preso em Curitiba, mas solto no Universo, hoje próximo do desencanto, surge o PSOL no horizonte para eclipsar a nova aurora.

Chamados pelos celulares, de Bangu a Pedrinhas, da Papuda a Tremembé, carreatas hão de traçar órbitas elípticas pelos pátios durante os respectivos banhos de sol. Afinal, Sol ou PSOL, perto da galáctica Pica que ora o vê quadrado, trata-se apenas uma estrela de quinta grandeza. O resto é caô.

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