O fantasma do sete a um

É provável que a Seleção Brasileira tenha que enfrentar a Alemanha nas oitavas, gerando uma obsessão de revanche do episódio que corroeu a alma brasileira na última Copa com a nossa vergonhosa derrota por 7x1.


No entanto, é bom lembrar que o Brasil é escolado em perder de 7 a 1 em muitas outras áreas.


Há 30 anos a Coreia do Sul era um país tão subdesenvolvido como o Brasil. Apostou na excelência de um processo de educação do seu povo e hoje são o que são, referência em tecnologia, disciplina e desenvolvimento humano. Perdemos de 7 a 1 da Coréia.


Também perdemos de 7 a 1 do Chile que tendo como nós, sofrido regimes autoritários numa América Latina sempre difícil, superou-se e hoje é um país moderno com IDH elevado e uma
educação de excelência do seu povo.


Não foi diferente com a Colombia, olha só que vexame. Com uma política séria de combate à violência eles podem até apostar que vivem num país seguro para se andar nas ruas e exercer tranquilamente a cidadania. Já o Brasil não consegue se ver livre do palco de guerra que faz dos seus cidadãos reféns, sendo que muitos só alimentam o sonho de dar o fora daqui, morar em Portugal ou em Miami.


O 7 a 1 que a Alemanha nos impôs talvez servisse para alguma coisa, se usado como metáfora para nossas mazelas. Teria sido útil para refletirmos sobre como escolhemos nossos representantes no Congresso, de como aceitamos praticar a pequena corrupção do dia a dia
como furar uma fila, declarar um valor menor na venda de um imóvel ou tentar pagar o jantar do policial para evitar uma multa. Nosso DNA está nesses pequenos crimes também. Os bilhões que são subtraídos do Tesouro por mãos cheias de poder e volúpia em Brasília são o retrato do país que escolhemos ser, bem diferente daquilo que a Coreia decidiu ser.


É possível que consigamos avançar na Copa e até passar pela Alemanha, mas o 7 a 1 moral que o país protagonizou e protagoniza no cenário das nações, esse sim, ficará e será a herança para os nossos filhos e netos.

Please reload