As bruxas da Copa

 

Dessa vez, não há como culpar o inverno rigoroso para nova derrota na Rússia, mas talvez a Coreia do Sul tenha recebido uma multilateral ajuda extra. Suponho que o auxílio tenha ultrapassado – e muito - as fronteiras da similar do Norte para que Son, Lee & Cia alcançassem a sonhada vitória de honra sobre a poderosa Alemanha.

 

Portanto, nem me refiro ao hipotético apoio do gordinho nuclear que, a reboque do neopacifista Trump, teria substituído a longa trégua na península oriental por uma curtíssima torcida, estendida a seus 99,99% de seguidores locais.

 

O reforço aliado fora do eixo teria partido das bruxas do futebol, entidades que punem o campeão imediatamente anterior logo na primeira fase, fenômeno que ocorre há 20 anos, com a honrosa exceção do Brasil em 2006, punido por antecipação em 1966, como convém a um legítimo “país do futuro”.

 

O padrão FIFA de bruxaria provém de sua sede na sempre neutra Suíça: Zurique em vez da original Paris, esta ocupada por alemães na Grande Guerra, ao contrário do país de idioma múltiplo que viu a guerra ser travada de binóculos, a salvo das rajadas, em todas as suas inúmeras fronteiras.

 

Com o padrão monetário assombrando os deuses dos estádios pelo mundo afora, e concentrando nossos craques na Europa, nos restava apelar à macumba e outras mandingas.

 

Sabedores de que a melecofagia frente às câmeras estaria condenada pelos patrocinadores globais da FIFA, em especial o McDonald’s, despachos com a envelhecida meleca de Joachin Low, técnico alemão, recolhida no insosso amistoso recentemente travado entre o Brasil e seus algozes, determinaram a prematura eliminação germânica, pois a Suécia falhara no derradeiro instante.

 

Bastou uma pitada na farofa amarela, preparada com pimenta mexicana, para Hummels errar todas as cabeçadas e Kroos servir ao coreano em aparente impedimento em gol, a princípio, invalidado, prodígio que se repetiria no segundo tento.

 

Entretanto, o colegiado que compõe a entidade “árbitro de vídeo” que se cuide, pois Gilmar, Toffoli e o polonês do ABC, Lewandowski, podem restabelecer o gol anulado por juizeco da primeira instância.

 

Para dar mostras de seus poderes, o homônimo do desclassificado artilheiro germanófilo do Bayern, o mesmo que ressuscitou a bruxa Dilma no caldeirão de Renan, ontem, monocrático, garantiu as estatais amigas às corporações comandadas por seu time, o PTFC.

 

Já o trio LGT, acostumado a ganhar todas de 3 a 2, quer ampliar a jurisdição da segunda turma do STF para implantar o garantismo na próxima Copa, e assim garantir ao campeão o direito de passar de fase em liberdade, sem retrancas ofensivas.

 

Para tanto, o craque Kakay deve abrir escritório em Zurique.

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