A reprodução de uma ideia de jerico

No episódio da mudança do nome da Petrobras para Petrobrax, delírio do então plenipotenciário consultor de marketing da estatal que, em voo solo, desejou camuflar o atraso brasileiro com o simples auxílio de um sonoro x pré-Eike, portanto antes de a letra ganhar corpo, Miriam Leitão foi cruel com o mentor da mudança, ao rotular a sacada de gênio de ideia de jerico.

 

Ao atropelar pesquisas internas e externas, tal jerico, desembestado em direção ao Planalto, ignorou a paisagem dos campos, que incluíam os mais cobiçados, de petróleo.

 

Pedindo licença a George Orwell para levar a revolução dos bichos até o golpe da revolução revisitada e mal psicografada por Leitão, arrendo uns alqueires do presente parágrafo para melhor qualificar os quadrúpedes ligados à Fazenda. Muito bem, se o coice de porco do muar em questão, externo à companhia e avesso à opinião alheia, não teve na oportunidade a cabeça decepada pelo amigo presidente, o fato permitiu que, com o tempo, várias mulas, na verdade burros de carga com ou sem cabeça, ficassem soltando fogo pelas ventas com toda razão, cientes de que a justiça um dia viria a cavalo, e não das tartarugas travestidas de papagaios vitalícios, como é praxe nos dias de hoje. Ocorre que muito escoiceamos por mudanças mais profundas na empresa. Porém, se inicialmente a marca Petrobrax tornou-se o símbolo do neoliberalismo canino, fiel aos donos, fazendeiros de Chicago com seus gatos gordos, com o passar do tempo, a verdade foi esculpida pela academia até se tornar uma bela narrativa, ainda que condensada e restringida para servir à bovina repetição do rebanho remanescente.

 

Acabado o parágrafo zooafetivo platônico, a ideia de jerico foi alçada ao fabuloso discurso do divino mestre e a Petrobrax à maior marca do projeto de privatização do patrimônio do povo brasileiro, esta uma lenda de marca maior, do tempo que os animais falavam.

 

A insanidade nos levou a ponto de sermos conduzidos por uma mula sem cabeça, figura de linguagem estranha que soltava fogo pelas ventas estocadas com vento e que pastava mandioca. Na brasa, naturalmente.

 

Fato é que Miriam Leitão, que conhece a Fazenda, foi a escolhida pelo destino para reproduzir pelo ponto eletrônico uma nova ideia de jerico, aquela que para nada serve, senão para destacar ainda mais um evidente prejuízo.

 

O representante das Organizações Globo pecou vergonhosamente na açodada escolha da forma, amadora por excelência, bem como abusou do conteúdo pseudoprofissional, talvez pela visão estratégica do retrovisor de 2013, cuja imagem refletia o controle petista da mídia.

 

Claudicante e constrangida, a competente jornalista, medíocre mediadora, foi obrigada a negar um fato de conhecimento geral: o apoio irrestrito do chefe hoje no além, acima ou abaixo da linha que divide as almas penadas e apenadas, conforme o gosto do assinante que nunca desliga.

 

E a título de nada, apenas para contrariar o candidato Bolsonaro, que pôde sair atirando, montado no jerico em direção ao onipresente Posto Ipiranga, pertencente à concorrência.

 

Portanto, os telespectadores querem sangue de uma cabeça cortada. Não o sangue que o jornalismo da Globo nos leva a assistir diariamente, mas o que corre em uma bela hemorragia interna. Pelos olhos das coirmãs, é claro.

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